Indústria tem pior demanda desde 1999
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quarta-feira, 01 de fevereiro de 2006
Luciana Brafman<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - Resultado da política monetária restritiva do Banco Central, a demanda na indústria está no pior nível para um mês de janeiro desde 1999, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Em sondagem da indústria de transformação, a demanda por produtos industriais foi considerada forte por 8% dos empresários entrevistados, enquanto 23% responderam que o nível está fraco. A insuficiência da demanda foi apontada como principal limitador à expansão das atividades por 28% das empresas, o maior percentual desde outubro de 2003.
''Há um processo de desaceleração da produção devido à política monetária restritiva. A situação continua ruim na indústria. Há um certo desânimo, um grau de insatisfação alto'', disse o Aloisio Campelo, economista da FGV-RJ responsável pela pesquisa.
Todos os quesitos pesquisados que dizem respeito à situação atual das empresas foram piores do que os resultados de janeiro de 2005. Os indicadores futuros da pesquisa é que indicam possibilidade de melhora.
O desenho da retomada, porém, deve se dar de forma lenta e gradual, e num horizonte mais distante, de seis meses. Metade dos entrevistados prevê a melhora da situação dos negócios nesse período e 9% deles esperam uma piora. ''Não é uma explosão de otimismo, mas mostra que a confiança retorna de modo gradual'', afirmou Campelo.
Em relação à demanda dos próximos três meses, 26% das empresas prevêem aumento da procura por seus produtos e 28%, diminuição. Ainda que o resultado seja fraco, é superior à média histórica para janeiro.
Nesse quesito, o destaque negativo foi a demanda externa. O percentual de empresas que pretendem exportar mais é 29%, enquanto 26% projetam menos vendas externas. A previsão é tão ruim quanto em 2002 e é a pior desde janeiro de 1999. Para a FGV, a explicação é o câmbio desfavorável.
A perspectiva lenta de retomada da indústria tem confirmação na cautela em relação ao emprego. A proporção de empresas que planejam aumentar o contingente de mão-de-obra até março é 16%. Em contrapartida, 27% prevêem diminuir o número de vagas. A diferença em pontos percentuais entre as respostas é o pior resultado desde janeiro de 2000.
O segmento mais pessimista em relação ao emprego é o de vestuário e calçados. Nenhum dos entrevistados planeja aumentar a mão-de-obra, mas 62% projetam diminuir empregados. Os setores de madeira, têxtil, mobiliário e mecânico também estão pessimistas.
Com a demanda fraca, os empresários produziram menos e ajustaram os estoques. A taxa de empresas que se disseram com estoques excessivos caiu de 12% (em outubro) para 9%. A pesquisa foi realizada com 914 empresas, que empregam cerca de um milhão de pessoas e faturam, conjuntamente, em torno de R$ 470 bilhões.


