A indústria brasileira fechou o mês de novembro com o mais alto nível de vendas reais e a maior taxa de ocupação de capacidade instalada já registrados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). São os melhores resultados desde janeiro de 92, quando começou a ser feita a pesquisa Indicadores Industriais. Em novembro, a capacidade instalada ficou em 82,01% na média nacional. As vendas reais tiveram crescimento de 0,75% sobre outubro e de 11,44% sobre novembro do ano passado.
Houve crescimento de 0,10%, de outubro para novembro, na quantidade de pessoas empregadas na indústria. A massa salarial real também registrou um aumento de 2,92% em relação a outubro, atingindo o maior nível desde dezembro de 1998.
Segundo o presidente da CNI, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP), o número de empregos gerados pela indústria brasileira deverá registrar crescimento pela primeira vez, desde 1992. Os dados mostram que, no acumulado de janeiro a novembro do ano passado os postos de trabalho aumentaram 0,68%. ‘‘Pela primeira vez desde que iniciamos a série indicadores industrias deveremos fechar um ano com aumento na geração de empregos em relação ao ano anterior’’, comemorou.
Todos os indicadores de desempenho da indústria brasileira em 2000 devem registrar uma variação positiva em relação ao apurado em 1999, segundo Moreira Ferreira. As vendas reais do setor cresceram, de janeiro à novembro de 2000, 10,71%, melhor resultado apurado desde 1993. Os salários líquidos aumentaram 2,50% no mesmo período, e houve um crescimento de 4,06% nas horas trabalhadas.
Segundo Moreira Ferreira, os indicadores de dezembro deverão trazer números ‘‘um pouco piores’’ do que os registrados em novembro, já que, historicamente, as vendas do setor no último mês do ano são menores do que as registradas em outubro e novembro. Apesar disso, Moreira Ferreira afirmou que os números consolidados de 2000 não deverão sofrer alterações significativas, mantendo-se todos com variação positiva em relação a 99.
Com isso, segundo informou, o crescimento do setor no ano passado deve ter alcançado 6%. Para este ano, mesmo com indicadores internos e externos melhores do que os apurados em 2000, a expectativa de Ferreira é de que o crescimento do setor seja um pouco menor, ficando em cerca de 5%.
Segundo ele, o comportamento da balança comercial brasileira e a não realização da reforma tributária são dois aspectos que contribuem para uma avaliação mais conservadora em relação ao crescimento da indústria brasileira. Moreira Ferreira afirmou que a decisão tomada na primeira semana do ano pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) de reduzir em 0,5% a taxa dos Fed funds abriu ‘‘espaço’’ para que o Banco Central brasileiro possa reduzir novamente a taxa Selic.

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