A produção industrial registrou em abril uma redução de 1,6%, no segundo mês consecutivo de queda. Em março, a produção já tinha recuado 0,5%. O chefe do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, disse que o resultado revela uma desaceleração, ou pelo menos ‘‘acomodação’’ do setor. A queda de abril foi provocada sobretudo pelo aumento nas taxas de juros, que inibiu a produção de bens duráveis (queda de 5% sobre março).
Sales afirmou que os ‘‘fatores inibidores’’ à expansão da produção cresceram com o início do racionamento energético, o que poderá contribuir ainda mais para a desaceleração do setor.
Evitando fazer previsões, ele afirmou que as consequências do racionamento só serão contabilizadas na produção industrial deste mês. Para Sales, inicialmente, em maio, poderá ocorrer até mesmo um impacto positivo, com crescimento da produção de setores fornecedores da indústria energética. Como exemplo, ele citou o desempenho dos equipamentos para energia elétrica, cuja produção cresceu 34% no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2000.
A redução no ritmo de crescimento levou a indústria nacional a apresentar entre janeiro e abril uma média de aumento na produção de 5,2%, inferior à média do total do ano passado (6,5%). Ou seja, se o ano terminasse em abril, mesmo sem racionamento, o desempenho da indústria já teria sido pior que o do ano passado. Sales destacou, entretanto, que o nível de produção continua elevado, com crescimento em abril na comparação com o mesmo mês de 2000 (6,1%) e também no quadrimestre (6,9%).
Em abril, a produção de eletrodomésticos apresentou forte desaceleração, passando de um aumento de 15,3% no primeiro trimestre do ano (na comparação com o mesmo período de 2000) para 2,9% em abril (sobre abril do ano passado). Sales avalia que essa piora no desempenho do setor é reflexo do aumento das taxas de juros e da consequente redução do crédito. Além disso, as indústrias de eletrodomésticos apresentam volumes reduzidos de exportação, o que as impede de compensar no mercado externo a retração da demanda doméstica.
A queda na produção dos duráveis só não foi maior porque, ao contrário dos eletrodomésticos, a indústria automobilística, que já havia registrado um acréscimo de 18,9% no primeiro trimestre do ano, cresceu ainda mais em abril (21,8%).

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