Indústria tem faturamento recorde
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segunda-feira, 09 de outubro de 2000
Agência Estado Do Rio 
O faturamento da indústria nacional cresceu 6,42% em agosto na comparação com julho a maior variação positiva já verificada na pesquisa Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), iniciada em 1992. No entanto, retirando as oscilações de faturamento que ocorrem no período, o indicador dessazonalizado (que exclui variações típicas de uma mesma época no ano, a exemplo do pico de atividade provocado pelo Natal) mostrou queda de 2,54%. Tal resultado reflete uma acomodação no ritmo de expansão, uma vez que julho dessazonalizado apresentou alta de 4,9%. No acumulado do ano, as vendas da indústria nacional cresceram 10,79%.
Cálculos da CNI divulgados ontem mostram expansão de 6,4%. Essa é a maior variação desde 92, quando a pesquisa foi iniciada
Para o presidente da CNI, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP), as vendas da indústria cresceram em agosto, apesar do período ter apresentado taxas altas de inflação. As quedas da taxas de juros nos meses anteriores contribuíram para esse resultado, afirmou. Ele prevê crescimento de 6% em 2000 no faturamento nacional da indústria e de 4% no Produto Interno Bruto (PIB). A perspectiva é de aumentar a capacidade instalada, no caso do preço do petróleo estabilizar-se e o Banco Central retomada a política de redução dos juros, além de queda também na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).
A utilização da capacidade instalada também bateu recorde e chegou a 81,9%, superior aos 81,4% registrados em março de 1995. Mas Moreira Ferreira não vê problemas de gargalo ou de pressão inflacionária de demanda de consumo, pois acredita que o empresariado está investindo em bens de capital e aumentando a capacidade instalada de suas indústrias.
Em São Paulo, maior parque industrial do País, o crescimento no faturamento industrial em agosto chegou a 8,26%, ante julho. Em relação a agosto do ano passado, houve crescimento de 13,7%. Desde janeiro, o Estado acumulou alta de 12,84%, maior que a média nacional de 10,79%.
O cordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castello Branco, também prevê aumento do consumo interno diante da recuperação do emprego e do rendimento. O pessoal empregado em agosto aumentou 0,19% em relação a julho, 1,66% sobre agosto de 1999 e acumula alta de 0,33% desde janeiro. Já os salários tiveram alta de 0,33% entre julho e agosto e de 1,87% no acumulado do ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, agosto registrou a sétima alta consecutiva, de 3,77%.
No Estado de São Paulo, a massa salarial e o nível de emprego também mostraram recuperação em agosto. Os salários aumentaram 0,96% em agosto, em relação ao mês anterior, e 5,53% na comparação com o mesmo mês de 1999. O nível de emprego aumentou 0,18%, apenas 0,01 ponto porcentual abaixo da média nacional, de 0,19%.
O presidente da CNI, apesar de considerar que há espaço para investimentos no País, especialmente nos setores de papel e celulose, petroquímico e de bens de capital, cita alguns entraves para o desenvolvimento da indústria. Continuamos a insistir que a reforma tributária é absolutamente necessária, disse, mirando também sua crítica para a CPMF. Os malefícios da CPMF ficaram muito evidenciados no mercado de capitais, afirmou. Só a área de arrecadação do governo insiste em mantê-la. Há outras que gostariam de vê-la banida.


