Rio de Janeiro - A utilização da capacidade instalada da indústria teve ligeira queda neste início do ano: recuou de 85,1% em outubro para 84,6% em janeiro. Os dados são da Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, realizada trimestralmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgada ontem, cujos resultados mostram que o setor está com crescimento equilibrado e não há risco iminente de estrangulamento da indústria. Das empresas pesquisadas, 57% informam que conseguem crescer ''sem maiores dificuldades'', maior taxa da série iniciada em 1969.
O coordenador da sondagem, Aloísio Campelo Jr, explica que os riscos de um superaquecimento da indústria, como escassez de matéria-prima, esgotamento da capacidade e estoques baixos, que apareceram fortes na última sondagem, parecem menores. Ele explica que o recuo do uso da capacidade está ligado ao leve arrefecimento no ritmo de expansão e aos investimentos das empresas. ''Apesar de elevado, o nível de uso da capacidade não é problemático'', diz o economista da Escola de Pós-Graduação da FGV, Samuel Pessôa.
Segundo a sondagem, não há indicações de pressão de aumento de preços por conta da utilização da capacidade. A parcela de empresas com intenção de elevar preços caiu de 43% em janeiro de 2004 para 34% este ano. Já a parcela de indústrias que pretendem reduzir preços foi de 6% para 10%. Ao contrário da média geral, a intenção de reajustar preços ficou mais forte no segmento de bens de capital (máquinas usadas na produção): este grupo representava 24% do total e saltou para 39%.
Sem ajuste sazonal, o uso da capacidade na indústria foi de 83,6% em janeiro - maior taxa para o mês desde 1987 (84%). De outubro para janeiro, já descontados os fatores sazonais, os principais recuos do uso da capacidade foram o setor de bens de consumo (de 80,7% para 77,3%) e material de construção (de 85,6% para 84,9%). No segmento de bens de capital, o caminho foi inverso: a taxa subiu de 80,8% para 83,9%.
Campelo afirma que os casos de ocupação muito altas são ''pontuais''. Alguns dos setores com uso acima da média histórica são mecânica (90,2%), borracha (96,2%) e materiais plásticos (87,8%). Para Pessôa, os dados da sondagem mostram que as indústrias ''operam numa situação de equilíbrio''. Ele acredita que houve uma acomodação no crescimento da indústria, ''provavelmente se preparando para um novo período de crescimento'', em paralelo ao investimento. ''A gente está vivendo uma fase de crescimento única na história'', comentou.

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