A produção industrial brasileira cresceu 6,6% de janeiro a abril deste ano, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado igualou o nível de produção do primeiro quadrimestre de 1995, o melhor da série histórica, iniciada em 1975. Nos quatro primeiros meses de 1995, o crescimento da produção foi de 14,6% – mas a queda de atividade nos anos seguintes igualou a atividade da indústria dos dois períodos.
Em relação ao último trimestre do ano anterior, quando se confirmou a recuperação da indústria depois da crise da desvalorização do real, o aumento médio da atividade do setor foi de 5,6%. Em abril, a produção industrial brasileira aumentou 2,9% em comparação com março, e 3,3% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A produção de equipamentos para a própria indústria e de bens de consumo duráveis está sendo responsável pela recuperação da indústria. É responsável pela expansão da indústria, segundo o IBGE. O gerente do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, afirmou que o aquecimento do mercado interno tem maior contribuição na atividade industrial do que as exportações.
Ele acredita que o aumento na produção de bens duráveis pode ser consequência de um fenômeno já observado no início do Plano Real, depois de julho de 1994 – as compras baseadas no crédito.‘‘As famílias devem estar indo comprar bens duráveis a prazo’’, afirmou Sales. De março para abril, o crescimento deste setor foi de 9,7%. Mas aumento de produção dos bens duráveis foi de 15,2%, na comparação com abril de 1999. A expansão acumulada nos quatro primeiros meses foi de 19,7%.
O aumento da produção de bens de capital – equipamentos e máquinas usados pela indústria – é um sinal claro de confiança das empresas no aumento da produção no futuro, avaliou Sales. ‘‘Ele reflete o sentimento de que haverá mercado para o aumento da capacidade’’, opinou. A produção de bens de capital cresceu 4,3% em abril, na comparação com o mês anterior, e 5,2%, em relação a abril do ano passado. O crescimento acumulado neste ano foi de 6%. A produção de bens não-duráveis ou semiduráveis – que inclui alimentos, bebidas, medicamentos, roupas e combustíveis – não vem acompanhando o desempenho do resto da indústria.
O setor cresceu apenas 2,9% em abril, na comparação com março, e caiu 7% em relação ao mesmo mês do ano passado. A fabricação destes bens também caiu 0,3% de janeiro a abril. A produção dos bens intermediários, que abrange a extração mineral, a siderurgia, petroquímica e material para construção, aumentou 1,3% de março para abril, 5,4% na comparação com abril do ano passado, e 7,9%, nos quatro primeiros meses deste ano.
Pelos cálculos de Sales, somente com os resultados de janeiro a abril, a produção industrial brasileira tem condições de aumentar 4,7% neste ano – mesmo que ela não cresça durante os oito meses seguintes. Ele lembrou, no entanto, que a base de comparação é baixa, porque a indústria foi atingida pela crise da desvalorização do real e fechou o ano passado com queda de 0,7% de sua atividade, na comparação com 1998.

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