Indústria tem a maior produção do Real
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segunda-feira, 05 de junho de 2000
Agência Estado Do Rio 
A produção industrial brasileira cresceu 6,6% de janeiro a abril deste ano, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado igualou o nível de produção do primeiro quadrimestre de 1995, o melhor da série histórica, iniciada em 1975. Nos quatro primeiros meses de 1995, o crescimento da produção foi de 14,6% mas a queda de atividade nos anos seguintes igualou a atividade da indústria dos dois períodos.
Em relação ao último trimestre do ano anterior, quando se confirmou a recuperação da indústria depois da crise da desvalorização do real, o aumento médio da atividade do setor foi de 5,6%. Em abril, a produção industrial brasileira aumentou 2,9% em comparação com março, e 3,3% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A produção de equipamentos para a própria indústria e de bens de consumo duráveis está sendo responsável pela recuperação da indústria. É responsável pela expansão da indústria, segundo o IBGE. O gerente do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, afirmou que o aquecimento do mercado interno tem maior contribuição na atividade industrial do que as exportações.
Ele acredita que o aumento na produção de bens duráveis pode ser consequência de um fenômeno já observado no início do Plano Real, depois de julho de 1994 as compras baseadas no crédito.As famílias devem estar indo comprar bens duráveis a prazo, afirmou Sales. De março para abril, o crescimento deste setor foi de 9,7%. Mas aumento de produção dos bens duráveis foi de 15,2%, na comparação com abril de 1999. A expansão acumulada nos quatro primeiros meses foi de 19,7%.
O aumento da produção de bens de capital equipamentos e máquinas usados pela indústria é um sinal claro de confiança das empresas no aumento da produção no futuro, avaliou Sales. Ele reflete o sentimento de que haverá mercado para o aumento da capacidade, opinou. A produção de bens de capital cresceu 4,3% em abril, na comparação com o mês anterior, e 5,2%, em relação a abril do ano passado. O crescimento acumulado neste ano foi de 6%. A produção de bens não-duráveis ou semiduráveis que inclui alimentos, bebidas, medicamentos, roupas e combustíveis não vem acompanhando o desempenho do resto da indústria.
O setor cresceu apenas 2,9% em abril, na comparação com março, e caiu 7% em relação ao mesmo mês do ano passado. A fabricação destes bens também caiu 0,3% de janeiro a abril. A produção dos bens intermediários, que abrange a extração mineral, a siderurgia, petroquímica e material para construção, aumentou 1,3% de março para abril, 5,4% na comparação com abril do ano passado, e 7,9%, nos quatro primeiros meses deste ano.
Pelos cálculos de Sales, somente com os resultados de janeiro a abril, a produção industrial brasileira tem condições de aumentar 4,7% neste ano mesmo que ela não cresça durante os oito meses seguintes. Ele lembrou, no entanto, que a base de comparação é baixa, porque a indústria foi atingida pela crise da desvalorização do real e fechou o ano passado com queda de 0,7% de sua atividade, na comparação com 1998.


