A produção industrial do País registrou em maio a terceira queda consecutiva (-1,5%) no ano, na comparação com o mês imediatamente anterior. Essa redução mês a mês acima de 60 dias não ocorria desde o período entre junho e outubro de 1998, quando a crise russa comprometeu o crescimento da indústria nacional. Para o chefe do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, esses dados revelam uma desaceleração, ou ‘‘perda de dinamismo’’ na expansão industrial.
A queda na produção em maio sobre abril foi atribuída à elevação dos juros e à crise argentina, que levaram a uma ‘‘revisão da expectativa’’ dos empresários, na avaliação de Sales. Ele afirmou que os impactos do racionamento na indústria só serão contabilizados na pesquisa de junho, que será divulgada no início de agosto, apesar de adiantar que a crise também contribuiu para essa mudança no ritmo da produção. A desaceleração vem ocorrendo gradualmente desde março, quando foi registrada queda de 0,9% sobre fevereiro; em abril de 1,7% em relação a maio e finalmente, em maio, de 1,5% sobre abril.
Sales disse que a avaliação anterior era de um desempenho melhor da indústria em maio, devido ao fato de que esse é tradicionalmente um dos melhores meses do ano para a produção industrial.
Apesar dos dados negativos, ele ressaltou que os números de maio continuaram apresentando resultados positivos, ainda que declinantes, na comparação com o ano passado. Houve crescimento de 4,2% sobre maio de 2000, mas em porcentual inferior aos 6,4% registrados em maio do ano passado sobre o mesmo mês de 99.
Em relação à taxa de crescimento acumulada no ano até maio (6,2%), o indicador continua próximo ao acumulado em 2000 (6,5%), mas é inferior ao índice de crescimento que havia sido registrado no primeiro trimestre (7,1%).

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