Indústria tem 1º resultado positivo em janeiro desde 97
Agência Folha
Do Rio de Janeiro
A produção industrial brasileira cresceu 5,4% entre janeiro deste ano e o mesmo mês do ano passado. Este foi o primeiro desempenho positivo da indústria no mês de janeiro desde 1997 (6,9% sobre janeiro do ano anterior). Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A mínima queda da produção em janeiro em relação a dezembro de 99, de 0,1%, é considerada pelo economista Sílvio Sales, responsável pelo Departamento de Indústria do órgão, como um sinal de estabilidade no setor.
Em janeiro do ano passado, a produção da indústria brasileira tinha apresentado queda de 3,4% sobre o mesmo mês de 98. Como lembra o economista, os dados relativos a este ano devem ser analisados tendo como referência essa base fraca de 99.
A taxa média da produção da indústria nacional em janeiro também foi 4,7% superior ao ano anterior. Os números reforçam a tendência de recuperação da indústria brasileira, iniciada no segundo semestre do ano passado. Apesar de ter chegado ao final de 99 com uma perda acumulada de 0,7%, a indústria do país vem demonstrando sinais de recuperação desde agosto do ano passado, quando registrou crescimento de 0,9%.
Os segmentos que mais contribuíram para o crescimento da produção, na comparação dos meses de janeiro, foram a indústria metalúrgica (10,4%), mecânica (15,4%) e material de transporte (12,5%), além de têxtil (7,9%) e vestuário (10,4%). Os únicos segmentos a registrarem queda de produção no período foram o farmacêutico (9,5%), o de matérias plásticas (4,2%) e o de fumo (43,6%).
Segundo Sales, há uma relação direta entre o crescimento da produção nos principais segmentos da indústria e a recuperação das exportações brasileiras desde a desvalorização do real, em janeiro do ano passado. A principal exceção, nesse caso, está no crescimento da indústria de bens de capital (6,3% de aumento no período). Apesar de estar em parte também relacionada às exportações, a compra de equipamentos e máquinas para indústria e agricultura estaria sinalizando, por parte das empresas instaladas no país, confiança no bom desempenho da economia brasileira este ano.
O crescimento mais tímido foi registrado no segmento dos chamados bens não duráveis, que inclui alimentos, bebidas, medicamentos e confecções. O segmento cresceu 1,3% no período (entre janeiro de 99 e 2000), abaixo da média da indústria. Para o economista do IBGE, o desempenho reflete a queda do poder aquisitivo da população.
Por outro lado, a queda gradual nas taxas de juros, aliada à possibilidade de um programa de renovação de frota no país, está levando a uma significativa melhora da produção na indústria automobilística. A produção nesse segmento cresceu 19,3% entre janeiro deste ano e o mesmo mês de 99.





