Indústria sustenta aumento das exportações no Paraná
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quarta-feira, 15 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os produtos industrializados estão sustentando o aumento das exportações no Paraná. Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior, divulgado ontem, pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apontam um crescimento de 18,51% nas exportações de produtos industrializados, que subiu de US$ 1,8 bilhão no período janeiro a maio do ano passado para US$ 2,5 bilhões este ano, um aumento de R$ 700 milhões.
No ano passado, a liderança das exportações paranaenses vinha do agronegócio, que este ano perdeu vigor principalmente no escoamento de produtos básicos como grãos e óleo. As exportações de produtos básicos que somou US$ 1,4 bilhão nos primeiros meses do ano passado caiu para US$ 1,2 bilhão este ano, uma redução de US$ 200 milhões.
No total, as exportações atingiram US$ 3,8 bilhões este ano, contra US$ 3,2 bilhões no ano passado. Segundo a Fiep, os setores automotivo, de frango, carnes e madeira foram os que elevaram as exportações nos primeiros cinco meses do ano.
Para o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, o resultado explica que os produtos industrializados, com maior valor agregado, têm mais espaço no mercado internacional. ''Temos qualidade e custo competitivo. Mas a nossa competitividade está cada vez menor, porque a cotação do dólar atingiu um patamar inadequado. Em função disto, o Paraná começa a ser prejudicado na venda de commodities, o que faz com que o Estado não acompanhe o ritmo de crescimento do restante do Brasil'', alertou.
Somente em maio, as exportações paranaenses atingiram US$ 902 milhões, uma alta de 8,3% em relação ao mesmo mês de 2004 (US$ 833 milhões). Segundo o Centro Internacional de Negócios da Fiep (CIN), está aumentando o número de pequenas empresas que estão exportando. No mês passado, 33 indústrias realizaram a sua primeira exportação.
As exportações de automóveis com motor 1.0, saltaram de US$ 6 milhões nos primeiros cinco meses de 2004 para US$ 180 milhões neste ano. O setor de frangos vendeu US$ 179 milhões nos cinco primeiros meses de 2005, um aumento de 29% sobre a receita de US$ 138 milhões, gerada no ano passado. A venda de açúcar também que teve alta, saltando de US$ 24 milhões para US$ 70 milhões.
Já as commodities agrícolas apresentaram quedas significativas. O resultado dos embarques de milho, foi 75% menor neste ano. As exportações de óleo refinado bruto, no qual o Paraná tem maior participação, as exportações caíram 27,18%: O faturamento de US$ 157,3 milhões no ano passado, caiu para US$ 114,5 milhões este ano.
Destaque - O Paraná está se consolidando como primeiro exportador de aves. Das 31 indústrias existentes no Estado, as 20 que exportam estão com contratos fechados até setembro. ''Se tivesse mais volume a ser exportado, o volume embarcado seria ainda maior'', disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Abate de Aves, Domingos Martins.
A vantagem do Estado é a disponbilidade de matéria prima que reduz o custo de produção. Segundo Martins hoje o Paraná exibe o preço mais competitivo do Brasil. ''Temos soja e milho no nosso quintal, enquanto as indústrias de outros estados têm que pagar o transporte para buscar o insumo'', comparou.
Para o analista econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, produtos como açúcar, frango e açúcar estão sendo beneficiados com melhores preços no mercado internacional. Mas na comercialização de soja e milho, o que ocorreu neste ano foi a queda de preços no mercado externo, seguida da valorização do real.
Segundo Mafioletti, o aumento de 7% na receita com as exportações de soja em grão verificada nos primeiros cinco meses do ano, foi motivada pelos embarques dos estoques remanescentes da safra passada.


