Rio – A produção da indústria cresceu acima do esperado em setembro, impulsionada pela reação do mercado interno. O bom desempenho dos bens de consumo e de bens de capital, aliado à manutenção das influências positivas da agroindústria e exportações, assegurou um aumento de 4,3% na produção ante agosto, o melhor resultado em relação ao mês anterior apresentado desde abril de 2002. Houve também expansão de 4,2% na comparação com setembro do ano passado, segundo divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  ‘‘A indústria reagiu mais rápido à queda dos juros do que esperávamos’’, disse o diretor de assuntos macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Paulo Levy. Para o o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, os resultados de setembro em todas bases de comparação foram ‘‘amplamente positivos’’ e ‘‘reforçam os sinais de recuperação’’ do setor.
  O aumento na produção ante setembro de 2002 reverteu a trajetória de cinco meses de queda na comparação com igual mês do ano anterior. Além disso, a produção acumulada no ano interrompeu o sinal negativo apresentado até agosto (-0,5%) e mostrou um resultado modesto, mas positivo (0,1%) em setembro. Em 12 meses, a produção acumula alta de 1,6%.
  Os analistas econômicos esperavam um aumento da produção industrial bem inferior (2,2% a 3%) ao divulgado em setembro ante agosto. A surpresa positiva aumentou o otimismo em relação ao desempenho da indústria no ano. Levy disse que a projeção do Ipea de -0,7% para a produção industrial em 2003 ‘‘pode se mostrar um pouco pessimista’’ diante dos dados divulgados ontem.
  Segundo ele, ‘‘provavelmente’’ o resultado será melhor do que a estimativa, mas as revisões só serão feitas pelo Ipea após a divulgação dos resultados da indústria em outubro.
  Os resultados de setembro levaram a LCA Consultores a revisar a projeção da produção industrial para o ano de 0,4% para 0,6%. A consultoria admite também uma possível revisão para cima da previsão do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no ano, atualmente na faixa de 0,9%. O Ipea prevê um aumento de 0,5% no PIB neste ano e não pretende revisá-lo no momento.
  Para a consultoria Global Invest, o aumento da produção em setembro indica uma ‘‘recuperação real’’ do setor industrial e é um bom sinal para 2004. A análise é compartilhada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que destacou ‘‘o período de tempo extremamente curto entre o início das reduções da taxa de juros básicas, em junho, e os efeitos dessas reduções, de apenas três meses’’.

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