Londrina - No setor industrial, ao contrário do agronegócio, a alta do dólar traz mais impactos negativos. Isso porque a maioria das empresas utiliza muitos componentes importados na linha de produção, que ficam mais caros quando o real se desvaloriza. "Alguns setores que também exportam conseguem equilibrar as contas", diz Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Por ser um grande importador, o Brasil sofre pressões inflacionárias quando o dólar está alto. O aumento de custos, quando não absorvido pelas empresas, acaba no bolso do consumidor. "Além disso, os produtos industrializados brasileiros ficam menos competitivos em relação a outros países", comenta.
O economista antecipa que os impactos da alta levam pelo menos dois meses até chegar ao consumidor. "Pode ser que a alta não se mantenha. Se continuar, vai haver aumento de preços em alguns setores", acredita. Ele argumenta ainda que as oscilações no câmbio são em parte responsáveis pelo chamado processo de desindustrialização enfrentado pelo Brasil. Em 2006, 57% da exportações do Paraná era de produtos industrializados. Ano passado, o índice foi de 35%. Os produtos básicos, ao contrário, passaram de 29% para 51%. "É um processo difícil de reverter", lamenta.
Ary Sudan, vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal), explica que as indústrias que exportam conseguem usar o dólar recebido pelas vendas internacionais para pagar os insumos importados, conseguindo um certo equilíbrio. Mesmo assim, os custos são afetados, conforme exemplifica com o caso da própria empresa, que tem 25% da produção sofrendo impacto direto da moeda norte-americana. "Se o dólar sobe 10%, meu custo vai aumentar 2,5%", compara, acrescentando que o aumento é difícil de repassar para o mercado.
Sem perspectivas sobre uma desvalorização iminente do dólar, ele defende que o governo lance uma política de redução de tributos para compensar os custos com importação e garantir um fôlego financeiro às empresas. "Mas infelizmente, a tendência é que os impostos subam ainda mais", afirma. (C.A.)

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