São Paulo - Os setores da indústria que atingiram nível recorde de uso da capacidade instalada das fábricas no 3º trimestre deste ano são exatamente os que mais estão dispostos a aumentar os investimentos em 2005, revela o detalhamento de uma sondagem especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que deverá ser divulgada esta semana. Isso afasta o risco de esgotamento da capacidade de produção para atender simultaneamente o consumo doméstico e as exportações no ano que vem e de pressões inflacionárias provocadas por gargalos na oferta.
Apenas 20% das 1.224 empresas consultadas pela CNI no 3º trimestre informaram que estão com capacidade de produção inadequada para dar conta da demanda prevista para 2005. Também mais de 40% do total das indústrias declararam que querem ampliar as compras de máquinas para produzir mais.
Entre os setores cujo nível de uso da capacidade das fábricas é o maior da série histórica estão o têxtil (84%), metalurgia básica (81%), máquinas e equipamentos (77%), produtos de metal (74%), equipamento médico-hospitalar (82%) e material elétrico (78%). A pesquisa aponta que 52% das indústrias têxteis ouvidas querem aumentar as compras de máquinas em 2005. No caso de metalurgia, esse indicador está em 57%, seguido pelos produtos de metal (46%), equipamento médico-hospitalar (41%), máquinas (40%) e material elétrico (34%).
''O cenário é alentador por causa da forte correlação entre os setores. Com isso, não haverá problemas para expandir a produção'', diz o economista da CNI, Paulo Mól.
A ligação direta entre os setores que estão numa saia justa na produção e os que mais pretendem ampliar a compra de máquinas ganha importância especialmente por causa do vigoroso crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas pelo País) registrado até agora. De janeiro a setembro, a expansão do PIB chega a 5,3% ante 2003, o melhor desempenho desde 1995. Só no 3º trimestre, o acréscimo anual foi de 6,1%.
Depois de quatro anos sem investir um tostão, a Orsa, fabricante de celulose, papel e embalagens, a 3 maior indústria do setor, desembolsou R$ 210 milhões, a maior parte de recursos próprios. Desse total, 70% serão gastos para ampliar em 60 mil toneladas por ano a capacidade de produção das fábricas de Rio Verde (GO), Suzano (SP) e Manaus (AM). O restante será aplicado no aumento da área florestal.
''Temos de pensar estrategicamente'', diz o presidente da companhia, Sergio Amoroso. A perspectiva para o papel no mercado interno é boa e deve continuar em 2005. ''Se ocorrer algum problema aqui ainda tenho a opção de exportar'', ressalta.

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