A preocupação com a qualidade de vida e, naturalmente, com o corpo trouxe reflexos para a moda. Atualmente é comum encontrar pessoas nas ruas vestindo roupas que antes só eram vistas dentro de academias de ginástica e centros esportivos. É o ''fitness'' tomando conta do dia-a-dia.
Embora isso seja uma constatação, não há qualquer pesquisa que comprove o fato. A afirmação é de Eliane Daitschman, integrante do Conselho Deliberativo do Sindicato do Vestuário de Curitiba e diretora geral da Kas, uma conhecida marca de roupas esportivas. ''É uma tendência mundial que surgiu há cerca de dez anos'', explicou.
Para não perder a oportunidade, a indústria se adaptou logo ao mercado e criou os chamados tecidos tecnológicos ou inteligentes. São fibras mais leves, que secam mais rápido, não deixam cheiro, aderem melhor ao corpo e, em alguns caso, tem até proteção ultravioleta e ação antibacteriana. Esses atrativos aliados a novas modelagens e cores agregam valor ao produto. ''Neste quesito, o Brasil é um forte concorrente no mercado externo'', afirmou Eliane, que já levou sua marca para Punta del Este e Montevidéu, no Uruguai, Assunção (Paraguai) e Irlanda.
A maior prova de que este é um filão ainda pouco explorado, é o rápido crescimento daqueles que apostaram na idéia. Segundo Maria Aparecida La Pastina Krzyzanowski, sócia-proprietária da marca Mulher Elástica de Londrina, em dois anos de existência a empresa aumentou oito vezes seu volume de produção. ''Começamos com mil peças por mês e hoje fabricamos oito mil. Além da nossa loja, atendemos também mais 16 cidades do Paraná e duas de São Paulo, incluindo a capital'', revelou.
Um dos maiores sucesso da marca é uma calça de suplex com o cós colorido. Esta e todas as peças da Mulher Elástica são criações de Tatiana, filha e sócia de Maria Aparecida. ''Foi o primeiro modelo que desenvolvi e ainda é um dos mais pedidos. A procura é tão grande que já surgiram várias cópias pela cidade'', comentou a designer, que aproveitou a iniciativa dos concorrentes para reforçar seu marketing.
A gerente da Mar Azul, Silvilei Maria de Andrade, confirma a adoção do ''sportwear'' em todos os ambientes. De acordo com ela, muitas mulheres entram na loja em busca de um ''legging'' (calça de ginástica) para combinar com um blusão e uma sandália que 'caem bem' até no trabalho. ''A vantagem é que no fim do dia ela pode trocar a sandália pelo tênis e o blusão pelo top e ir para a aula de ginástica sem precisar passar em casa'', sugeriu. A calça bailarina é outra sensação entre as adolescentes. Elas fizeram da peça seu uniforme escolar e deixaram no armário a velha calça de elanca.
Na opinião de Tatiana, a expansão do setor se deve também à grande carência de marcas fortes no mercado. Segundo ela, nos grandes desfiles da moda nacional as peças mais próximas ao ''sportwear'' são da linha praia. ''Uma das nossas vantagens é atender todas as faixas etárias que, além do cuidado com a saúde, não dispensam a boa aparência'', finalizou a empresária, que já tem planos de exportar.

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