Arquivo FolhaSem empregosEmpregados de fábrica do setor de alimentos, que deve crescer 3% no trimestre: com ganhos de produtividade, as indústrias estão produzindo cada vez mais com menos mão-de-obra O primeiro trimestre não está sendo tão ruim para a indústria brasileira quanto se previa no início do ano. Enquete realizada pela Agência Folha junto a dez setores mostra que o desaquecimento está confinado a algumas áreas. Apenas três setores estão produzindo menos do que nos primeiros três meses de 1997. São eles: automotivo, têxtil e eletroeletrônico. Os demais - alimentos, papel e celulose, plástico, embalagens, siderurgia, química e máquinas e equipamentos - vão bem.
O crescimento da produção chega a 5%, na comparação anual. O que está em queda são os preços. Ou seja: embora a venda aumente, cai o faturamento. A produção maior também não tem sido suficiente para criar empregos. Devido aos ganhos de produtividade, as indústrias continuam produzindo cada vez mais com menos mão-de-obra.
A indústria de embalagens está produzindo 5% mais do que no mesmo período do ano passado. O setor é importante como termômetro da indústria porque quase tudo que é produzido é embalado. Se a produção de embalagens está subindo, isso é indício de que a produção de um modo geral segue na mesma direção. O setor é importante também pelo faturamento expressivo. Em 1997, foram US$ 11,5 bilhões.
Os produtos de verão e de higiene e limpeza são os principais responsáveis por esse aumento, diz Sérgio Haberfeld, presidente da Abre - que reúne os fabricantes de embalagens. O faturamento do setor neste trimestre deve crescer 2% e o emprego, permanecer estável. ‘‘Os equipamentos são mais eficientes e ainda há ociosidade nas fábricas. Para que ocorram contratações, diz Haberfeld, as vendas da indústria de embalagens precisariam crescer 10%.
A indústria de alimentos, que faturou no ano passado US$ 71 bilhões, deve produzir neste trimestre 2% a 3% mais do que em igual período de 97. Esse crescimento será puxado, sobretudo, pelas empresas que comercializam produtos típicos de verão.
O faturamento do setor, no entanto, dever cair 2% no período. ‘‘As exigências para descontos são cada vez maiores , diz Denis Ribeiro, coordenador do departamento econômico da Abia - que reúne os fabricantes de alimentos.
O emprego do setor neste trimestre está 3,9% menor do que há um ano, o que representa a demissão de cerca de 20 mil pessoas. Segundo Ribeiro, o quadro de pessoal já está enxuto. Contratações só vão ocorrer, diz, se o faturamento subir.
A indústria de plásticos, que movimentou US$ 7,7 bilhões no ano passado, prevê para este trimestre produção entre 2% e 3% maior do que a de igual período de 97, segundo a Abiplast.
Para a indústria de papel e celulose, que faturou R 7,4 bilhões em 97, o crescimento de 3,3% na produção de celulose neste primeiro trimestre é explicado pela expansão da Aracruz no final de 97. A empresa aumentou a produção em 200 mil toneladas anuais. O aumento de 1,5% na produção de papel se deve às máquinas mais eficientes.
A produção de aço também cresceu neste início de ano e deve fechar o trimestre cerca de 2% acima da dos três primeiros meses de 97, segundo Rudolf Buhler, diretor do Instituto Brasileiro de Siderurgia. ‘‘O primeiro trimestre está sendo bem melhor do que a expectativa do final do ano e somente há queda de produção em alguns setores. Um deles é o de arames, barras e laminados, que tem como principal cliente a indústria automobilística.
Os fabricantes de máquinas e equipamentos esperam crescimento da produção neste início de ano. O setor já cresceu entre 5% e 10% em janeiro, informa a Abimaq, que reúne as indústrias.
Na indústria química, o início de ano está surpreendendo em relação ao volume de vendas, mas o faturamento está em queda em razão dos preços achatados, informa a Abiquim.

mockup