A indústria automobilística continua trabalhando com previsões otimistas para este ano. O setor aposta em um crescimento de 23% na produção e de 16% nas vendas em relação a 1999. Até dezembro, as empresas pretendem produzir 1,6 milhão de veículos e vender, no mercado interno, cerca de 1,46 milhão de unidades entre modelos nacionais e importados. Já as exportações não devem ter o desempenho esperado inicialmente. A projeção era de exportar o equivalente a US$ 4,5 bilhões, mas o montante foi revisto para US$ 3,9 bilhões a US$ 4 bilhões. Ainda assim, esse resultado será 8% melhor que o do ano passado.
As vendas externas serão menores principalmente por conta dos problemas econômicos enfrentados pela Argentina, principal cliente das montadoras brasileiras. O país já foi responsável por 50% das exportações brasileiras, participação que este ano está em 36%. Além disso, o Chile não renovou um acordo de importação de caminhões e ônibus, vencido em setembro, e isso também pode ter reflexos nos resultados.
No mês passado, as montadoras produziram 148,4 mil veículos, número praticamente igual ao de setembro. Neste mês devem deixar as linhas de montagem cerca de 150 mil unidades e, em dezembro, 110 mil. As vendas de carros nacionais e importados no atacado (das fábricas para as lojas) totalizaram 130,2 mil unidades, 0,9% a mais que no mês anterior. No varejo (das lojas aos consumidores), os negócios cresceram 10%, somando 128.900 unidades.
O vice-presidente da Anfavea, Persio Luiz Pastre, informou que o setor encerrou outubro com 179.700 veículos em estoque. Desse total, 68.874 estão nos pátios das fábricas muitos deles destinados à exportação e 110.827 nas concessionárias, suficientes para quase um mês de vendas. Em outubro, as montadoras contrataram 719 funcionários,
encerrando o mês com um quadro de 98.453 trabalhadores, 3 mil a mais do que há um ano.
Pastre não quis comentar a greve de advertência realizada pelos metalúrgicos na terça-feira, que paralisou quase todas as montadoras de São Paulo nem sobre a ameaça de paralisação por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. ‘‘Não há impasse nas negociações com os trabalhadores ou recrudescimento entre as partes; estamos negociando’’, limitou-se a dizer o executivo.
A indústria automobilística perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) industrial. O setor, que entre 1994 e 1998 vinha respondendo por 10,1% a 10,9% da riqueza produzida no País, teve sua representação reduzida a 9,2% no ano passado, segundo dados estatísticos divulgados ontem pela Anfavea.

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