Indústria revê investimentos depois do Copom
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sábado, 19 de abril de 2008
Marcelo Rehder<br>Agência Estado 
São Paulo - A retomada da escalada dos juros anunciada na semana passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já leva um número razoável de empresas a rever os seus planos de investimento para este ano. Sondagem realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nos dois dias seguintes ao aumento do juro mostra que 18% de 114 empresas do setor que já haviam confirmado a intenção de investir no negócio afirmaram que vão rever seus planos diante da mudança do cenário.
A sondagem que revelou a mudança no humor das empresas em relação aos projetos de investimento complementou uma pesquisa sobre a intenção de investimento realizada pela entidade em março. De um universo de 601 empresas consultadas, 85% (510) trabalhavam em projetos de investimento para este ano. Esses projetos resultariam num incremento médio de 19% na capacidade de produção desse conjunto de empresas.
''Uma mudança dessa natureza (na política de juros) sempre tem consequências na vontade de investir'', diz Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp. ''Em que proporção esses 18% vão reduzir, adiar ou até cancelar seus projetos, não se sabe.'' Da mesma forma, o diretor da Fiesp frisa que ainda não dá para saber dos outros 82% quantos, eventualmente, vão fazer essa mudança mais à frente.
O porcentual de empresas que afirmaram que vão rever seus planos de investimento logo depois do anúncio do aumento dos juros surpreendeu especialistas. ''Eu esperava que nenhuma empresa fosse rever seus projetos de investimento neste momento'', diz o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Gomes de Almeida achava que isso só iria acontecer daqui algum tempo, na segunda ou terceira rodada de aumento do juro. Para ele, o que deve ter acontecido é que o BC ''anunciou demais'' que o processo de alta do juro ia ter início e muitas empresas passaram a ter dúvidas sobre o futuro da demanda mais rápido do que nas vezes anteriores.
''Essa puxada nos juros fez acender o sinal amarelo'', diz Dimas de Melo Pimenta III, vice-presidente da Dimas de Melo Pimenta Sistemas de Ponto e Acesso-Dimep. Líder de vendas de relógios e controles de acessos no País, a Dimep pretende ampliar em 20% sua capacidade de produção, que hoje é de 40 mil equipamentos por ano. ''Mantivemos os investimentos já iniciados, mas vamos ter de mudar nossos planos se a próxima reunião do Copom confirmar a tendência de alta dos juros'', afirma o executivo. Ele não revelou o montante dos investimentos.


