Afetada pela crise externa e a consequente dificuldade em exportar seus produtos e a redução dos investimentos diante do cenário turbulento, a indústria brasileira fechou o ano de 2012 com queda de produção de 2,7%, a maior retração desde 2009, quando recuou 7,4%. Naquele período, o País ainda vivia sob os efeitos da crise global detonada em 2008 com a crise hipotecária nos EUA e a quebra de instituições financeiras. Em 2011, o setor havia registrado expansão de 0,3%.
A indústria teve um fraco desempenho apesar das medidas de estímulo do governo, como desoneração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e máquinas e equipamentos e da folha de pagamento para ramos como calçados e vestuário.
Em dezembro, a produção industrial ficou estável na comparação livre de influências sazonais com novembro. Em relação a dezembro de 2011, a queda foi de 3,6%.
Em 2012, caiu a produção de todas as categorias. Tiveram resultados negativos bens de consumo duráveis (veículos, móveis e eletrodomésticos), com -3,4%, bens intermediários (matérias-primas e insumos para a produção de bens de consumo final), queda de 1,7%, e bens de capital (máquinas e equipamentos), retração de 11,8%. Este último, que sofre a contração mais intensa, sinaliza o ritmo dos investimentos na economia.
A queda menos intensa foi de semi e não duráveis (-0,3%), categoria que inclui roupas, alimentos, farmacêuticos e outros e é mais dependente da renda (que cresceu 4,1% em 2012) e do consumo interno.
No ano passado, os setores com melhores desempenhos foram refino de petróleo e álcool (4,1%), outros produtos químicos (3,4%) e outros equipamentos de transporte (8,5%). Já os piores resultados ficaram com veículos automotores (-13,5%), material elétrico e equipamento de comunicação (-13,5%), máquinas e equipamentos (-3,6%), alimentos (-2,1%) e máquinas e equipamentos de informática (-13,5%). De todos os setores pesquisados, 17 tiveram queda e apenas dez registraram crescimento no ano.
Para o coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o que mais preocupa é a queda de 11,8% na produção de bens de capital. "É um indicador muito importante de quanto a indústria está investindo e está disposta a investir no futuro", afirma.
Da mesma forma, segundo ele, é muito sintomática a queda na produção de caminhões, de cerca de 20% em 2012. "Este é um indicador muito importante de que a economia não vai bem", declara.
Neste início de ano, de acordo com ele, o humor dos industriais vem melhorando. "Mas nós só teremos condições de avaliar (se haverá retomada dos investimentos) em março", afirma.
No polo moveleiro de Arapongas, não houve retração na produção em 2012. "Os negócios se mantiveram estáveis na comparação com 2011", afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Nelson Poliseli. O problema, segundo ele, é que o lucro das empresas caiu. "Nós temos um oligopólio de meia dúzia de fornecedores de painéis de madeira no Brasil. Eles subiram o preço em 20% no ano passado. Nós não conseguimos repassar isso ao varejo", declara.
De acordo com Poliseli, as expectativas dos industriais de Arapongas para 2013 se concentram na Movelpar, que será realizada de 11 a 15 de março. "Até lá, o mercado é tímido. Mas a feira é sempre um sucesso", diz ele. (Com agências)

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