Arquivo FolhaVagas abertasPara o Ipea, as taxas de desemprego devem se estabilizar a curto prazo, mas não há previsão de quando vão começar a cair: setor industrial já volta a fazer contrataçõesA atividade industrial já começou sua rota de recuperação e a queda da produção, ocorrida no primeiro trimestre do ano, de 2,7% em relação ao trimestre anterior, dará lugar a um crescimento de 2,3% entre abril e junho de 1998 comparados aos três meses imediatamente anteriores. Os dados são dessazonalizados (excluem os efeitos de cada época do ano), foram projetados pelo Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (Ipea) e constam do Boletim de Conjuntura de abril, divulgado ontem. Para chegar a esses resultados, conforme informou o Coordenador do Boletim, Paulo Levy, o IPEA trabalha com uma queda da produção industrial para março, dessazonalizada, de 1%. Isso, depois de um crescimento de 1,4% em janeiro (contra dezembro) e de 0,9% em fevereiro (contra janeiro).
‘‘Está difícil explicar esses dados’’, disse Levy, referindo-se às estatísticas de recuperação da atividade industrial em março divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). ‘‘Ficamos surpresos com os dados da Fiesp que apontavam para um crescimento de 4% em março para a indústria.’ No mês passado, a produção de veículos cresceu 6,1% (dados dessazonalizados), mas a produção de aço caiu 0,2%, a produção de papelão (usado para embalagem) teve uma queda de 1,7% e o consumo de óleo diesel caiu 3,2%.
Apesar do confronto das estatísticas, os economistas do IPEA estão apostando na retomada do crescimento e para o terceiro trimestre do ano a alta prevista chega a 5% contra o trimestre imediatamente anterior. A recuperação será puxada pelo bom desempenho do setor de bens de capital, bens intermediários, por conta do bom desempenho da produção de material de construção, e por uma esperada recuperação do consumo. ‘‘A inadimplência já atingiu seu pico e há indicadores de melhora das vendas no comércio’’, observou Levy.
O Ipea trabalha com estabilidade do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro (dados dessazonalizados) e um crescimento de 3,4% no terceiro trimestre de 1998. Em relação aos primeiros três meses do ano, as projeções são de uma queda do PIB de 0,8% em relação ao quarto trimestre de 1997. ‘‘O crescimento mais forte deve acontecer no terceiro trimestre por conta da defasagem que sempre ocorre entre a queda das taxas de juros e seu impacto sobre a atividade econômica’’, explicou Paulo Levy. ‘‘Estamos dando muita importância à redução dos juros que caíram quase 15 pontos percentuais em três meses.’
Os resultados do PIB, segundo Levy, serão muito influenciados pelo bom desempenho previsto para a agricultura, já que os indicadores do Ipea apontam para uma queda de 1,5% na indústria no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 97 e uma retração de 1,3% no primeiro semestre de 98, ante idêntico período do ano passado. A recuperação, na comparação com o ano anterior, só ocorrerá no terceiro trimestre, de 0,3%.
A taxa de desemprego nos primeiros três meses do ano, dessazonalizada, apesar de crescente, é inferior aos resultados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelos cálculos do Ipea, segundo esse critério, o desemprego em março foi de 7,5%, ante os 8,18% sem os ajustes sazonais. Em fevereiro, a taxa ficou em 7,3%, mas o grande salto, segundo Paulo Levy, ocorreu de dezembro do ano passado para janeiro deste ano, quando o desemprego, dessazonalizado, saiu de 6,2% para 7,1%. ‘‘Depois disso, a alta tem sido muito pequena’’, disse, observando que o desemprego deverá cair, embora não se arrisque a prever quando. A curto prazo, suas estimativas apontam para uma estabilidade das taxas.

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