Indústria retoma nível anterior a 97
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quinta-feira, 04 de maio de 2000
Agência Folha De São Paulo 
A indústria paulista retomou os níveis de produção do período que antecedeu a crise asiática, em 1997. As vendas superam as daquela época. A recuperação, entretanto, ainda é lenta. A massa salarial, por exemplo, continua bem menor.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) informou ontem que a produção da indústria de transformação paulista, medida pelo INA (Indicador do Nível de Atividade), cresceu 2,7% em março, se comparada a fevereiro. Segundo previsões da entidade, o INA deve ter crescido 1,1% em abril e aponta mais 2,3% para este mês.
As vendas reais aumentaram 1,4% em relação a fevereiro, excluindo-se as influências dessa época do ano.
A massa de salários reais acumula uma queda de 5,9% nos últimos 12 meses, embora tenha aumentado 0,67% em relação à fevereiro.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento da produção e das vendas é mais significativo. A produção cresceu 11,9% em relação a março de 99, e as vendas reais dessazonalizadas (sem efeitos atípicos), 5,7%.
Deve-se lembrar, porém, que a base de comparação fica prejudicada porque os resultados do primeiro trimestre do ano passado foram ruins, refletindo a desvalorização do real em janeiro de 99.
Nos próximos dois meses, a maior parte dos setores industriais deverá crescer, afirma Clarice Seibel, diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp.
A produção deverá diminuir em poucos setores e essa queda será pequena, disse Clarice, ao divulgar o INA.
Não é possível afirmar se o ganho de produtividade associado ao crescimento das vendas aumentou as margens de lucro do setor industrial no período.
A desvalorização do real aumentou o custo das matérias-primas e das dívidas em dólar das empresas.
O crescimento da produção em março ocorreu em todos os setores, com exceção de material plástico, que apresentou pequena queda de 0,1%. Mas esse setor deve voltar a crescer em abril e maio, prevê Clarice.
O pessoal ocupado na indústria de transformação paulista cresceu 0,12% em relação a fevereiro. Esse resultado confirma a tendência de crescimento das contratações desde janeiro deste ano.
A demora na recuperação da massa de salários na indústria tem forte impacto nos setores industriais mais voltados para o mercado interno.
O poder aquisitivo das pessoas é menor e isso diminui a demanda por bens de consumo, sobretudo os não duráveis, como alimentos, explica Seibel.
Com isso, a recuperação das indústrias, cuja a produção é voltada para a exportação, como do setor de transporte, mobiliário e têxtil, está sendo bem mais rápida, afirmou Seibel.


