O nível das atividades da indústria paulista cresceu 12,4% em janeiro, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento de conjuntura feito pelo Departamento de Economia (Decon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). As vendas industriais em valores reais aumentaram 11,7% nesses período. A análise desses indicadores, feita por empresários e economistas que integram o Conselho Superior de Economia da entidade, mostra que as atividades industriais retornaram aos mesmos níveis do início do Real, quando as vendas explodiram e levaram o governo a adotar medidas de contenção ao consumo.
Após essa recuperação expressiva, as atividades industriais se estabilizaram. Se comparado a dezembro, o Indicador de Nível de Atividades (INA) dessazonalizado aumentou 0,3% em janeiro. Mantidos os efeitos sazonais, o desempenho do setor apresentou queda de 0,9%. As vendas reais, entretanto, deram um novo salto. Segundo a Fiesp, o valor das vendas da indústria aumentou 4,8% em janeiro, em relação ao mês anterior.
O diretor do Decon, Boris Tabacof, disse ontem que a recuperação da produção industrial não justifica a adoção de novas medidas para conter o crescimento do mercado doméstico. Desde o segundo semestre de 1995 a indústria investiu fortemente em novos equipamentos e racionalizou o processo produtivo, o que resultou num expressivo ganho na capacidade de oferta de mercadorias. Para atender a esse mercado aquecido, a indústria paulista ocupou apenas 77,5% da capacidade instalada.
Até mesmo o crescimento das vendas industriais de 4,8% (índice dessazonalizado) não tem significado importante, argumenta Tabacof. Em dezembro, o faturamento das empresas do setor havia caído mais de 4%, revelando o acúmulo de estoques e a frustração das expectativas em relação às vendas de fim de ano. ‘‘As empresas não encontraram mercado para a sua produção de fim de ano, mas isso foi rapidamente revertido em janeiro, com a reposição dos estoques do varejo no início de 1997.’’
Os membros do Conselho Superior de Economia da Fiesp acreditam que o mercado doméstico deverá crescer ainda mais a partir de março. Será um crescimento modesto. Nada significativo, a ponto de provocar desequilíbrio entre a oferta e a procura. O comportamento das vendas industriais ainda se mantém desigual, mas a tendência é de retorno ao equilíbrio. O maior acesso ao crédito pelo consumidor provocou uma explosão das vendas de bens de consumo duráveis. Esse fator de expansão tende a se esgotar, segundo Tabacof.
A indústria paulista produziu mais com menor número de funcionários. O resultado disso foi o crescimento de 7,4% no salário real médio do trabalhador. O número de empregados no setor caiu 5,8% em 12 meses.

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