Indústria reduz ritmo de negócios
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A variação acentuada do dólar, esta semana, está reduzindo o ritmo dos negócios. No Paraná, a importação e exportação de commodities (soja, milho e trigo) estão quase parando. Muitas delas estão sendo suspensas diante da elevação da taxa cambial. O produtor decidiu tirar o pé do acelerador das exportações, achando que pode ganhar mais se aguardar um pouco, levando-se em conta que o preço das commodities pode subir novamente diante da variação da moeda norte-americana. Já o importador acha que a taxa vai recuar um pouco mais, por isso está adiando os negócios.
A análise é de Flavio Turra, assessor econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), acrescentando que os produtores vão repassar a taxa da variação cambial nas negociações que ainda faltam da atual safra. Ele calcula que ainda restam 10% da safra de soja para ser negociada, 40% da safra de milho safrinha e 10% da safra normal de milho. O trigo começa a ser colhido e a tendência do produtor é estocar o produto em armazéns próprios ou de cooperativas.
Os preços praticados no atacado, como R$ 630,00 a tonelada de trigo, R$ 45,00 a saca de soja no interior do Estado e R$ 18,50 a saca de milho, tendem a ser reajustados, avisa Turra. O técnico disse que o preço do trigo no mercado interno está abaixo da paridade do trigo importado, cotado a US$ 200 a tonelada. ''Haverá uma recuperação nos preços do mercado interno'', afirmou.
Para a indústria, a situação está menos confortável porque o consumidor não está aceitando o reajuste de preços. Já não há demanda e a tendência dos negócios é reduzirem ainda mais, se as indústrias optarem pelo repasse de preços. Na Federação das Indústrias, a informação é que as indústrias já vêm optando por substituir as importações desde a maxidesvalorização de 1999. A pesquisa conjuntural da entidade revela que as importações caíram 38,26% até o mês de julho.
Já o setor exportador está se beneficiando com a variação acentuada do dólar. A pesquisa revela que as exportações de Papel e Papelão cresceram 64,06% entre janeiro e julho, em comparação com igual período de 2001. A exportação de Produtos Farmacêuticos e Veterinários subiu 58,23%; Produtos Alimentares teve alta de 26,45% e o setor de madeira registrou alta de 17,17% nas vendas externas.


