A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 3,2% neste ano. A previsão anterior, feita em dezembro de 2012, era de expansão de 4%. A entidade também rebaixou sua estimativa para o crescimento do PIB industrial para 2,6%, ante uma previsão anterior de alta de 4,1%.
No caso dos investimentos, os números também foram revistos para baixo. Antes, a CNI esperava um crescimento de 7%, e agora, tem expectativa de uma alta de 4%. A entidade projeta que a taxa de desemprego neste ano se encerre em 5,4% (antes era 5,3%). Para o consumo das famílias, a CNI espera um crescimento de 3,5% no ano, ante 3,8% projetados em dezembro.
A entidade elevou sua projeção para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Antes, a CNI esperava que encerrasse o ano em 5,5%. Agora, prevê 5,7%. A projeção para a Selic foi mantida em 7,25% para o fim deste ano. Já a previsão para o câmbio médio no fim do ano agora é de R$ 1,98, ante R$ 2,06.
Para o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o setor esperava uma reação mais rápida diante das medidas que o governo federal vem tomando para incentivar a produção desde o ano passado. Ele ressalta, no entanto, que é normal os impactos demorarem mais a serem percebidos na indústria. "Somos um setor que tem uma recuperação mais lenta porque demandamos investimentos", destaca.
Um fator que, segundo o economista, pode justificar a redução do otimismo é o câmbio. "Em dezembro, tínhamos uma situação mais favorável, com o dólar mais perto de R$ 2,10. Agora, ele está mais perto de R$ 2", declara. O Real valorizado tira a competitividade do produto nacional.
Zurcher explica que o problema da indústria brasileira vai além da atual crise econômica. "O Brasil fez uma opção de incentivar o consumo e não o investimento. Essa situação só começou a mudar no ano passado", ressalta.
Mesmo assim, os investimentos do País representaram 18% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, porcentagem bem aquém de outros emergentes. Segundo Zurcher, os investimentos da China foram de 46%, da Índia, de 30%, e da Rússia, de 23%. Os vizinhos Chile (28%), Colômbia (28%) e Argentina (19%) também fizeram mais investimentos. "O que menos investiu foi a Argentina, justamente aquele cuja situação econômica também não é boa", salienta.
O economista apresenta números que comprovam a opção do Brasil pelo consumo. "Enquanto o crédito para pessoa física subiu 644% de 2002 a 2012, o da pessoa jurídica cresceu 350%. Destinou-se muito menos dinheiro para a produção que para o consumo", afirma. Outro dado que, de acordo com ele, revela o descompasso entre produção nacional e consumo é que o comércio cresceu 100% naqueles 10 anos, enquanto a indústria, apenas 25%.
Para o economista e professor da PUC/Londrina, Márcio Massaro, a inflação e a forma de o governo combatê-la é que gerou o pessimismo entre os empresários nos últimos meses. "Bem no início do ano, não havia essa sensação de que os preços poderiam sair do controle", declara.
O governo, segundo ele, erra ao tomar "medidas artificiais" como a desoneração da cesta básica e a redução da tarifa da energia para conter os preços. "O mercado sabe que terá de aumentar os juros e frear a atividade econômica para controlar a inflação", destaca. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Indústria reduz projeção do PIB e de investimentos
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