A indústria de São Paulo demitiu menos no mês de junho. Mas o saldo entre contratados e demitidos continuou negativo no mês de junho (-0,15%), com o fechamento de 2.569 vagas. Mesmo assim, esse foi o melhor resultado dos últimos 12 meses. Os dados foram divulgados ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que pesquisa mensalmente o nível de emprego industrial no Estado.
A última vez que a indústria paulista contratou mais trabalhadores do que demitiu foi em maio do ano passado. O saldo foi de 557 novos postos de trabalho. O desempenho de junho confirma a tendência de estabilização no nível de emprego, segundo o diretor do departamento de pesquisa da Fiesp, Carlos Roberto Liboni.
As eleições deverão aquecer a atividade econômica no segundo semestre, o que poderá aumentar o número de postos de trabalho. Mas, de acordo com Liboni, isso não será suficiente para recuperar as vagas fechadas nos últimos quatro anos. Desde a implantação do Real, em julho de 94, foram fechados 447.081 postos de trabalho. Um saldo de -20,7%.
Liboni afirma que o governo precisa ‘‘questionar os paradigmas da estabilização econômica para retomar o crescimento sustentado. Isso significa, segundo ele, acelerar, por exemplo, a correção do câmbio (a desvalorização do real frente ao dólar). ‘‘O crescimento é a solução e lamentavelmente está longe de acontecer , frisou Liboni.
De qualquer forma, o diretor da Fiesp apontou para uma consistência na curva do nível de emprego. Isso significa que o governo tem agido ‘‘com responsabilidade , segundo Liboni, para responder às situações adversas. Exemplo disso foram as medidas contra a tentativa de ataque ao real ocorrida em 97, quando começou a crise nos mercados asiáticos. O governo elevou a taxa de juros, aumentou impostos e prometeu conter o déficit público.
O reflexo apareceu na curva do nível de emprego medido pela Fiesp em janeiro, quando desapareceram quase 28 mil postos de trabalho. Foi o pior desempenho desde agosto de 95, quando foram cortadas 45.720 vagas. Mas de janeiro para cá a curva vem se aproximando do zero. Medidas como a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações de crédito são positivas e devem contrabalançar a retração das vendas em alguns setores. Mas não é certo, segundo Liboni, que a redução do imposto levará à queda dos juros. ‘‘A indústria deverá continuar demitindo mais um tempo’’, afirmou.

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