Indústria reduz crédito às revendas
Vânia Casado
A indústria de defensivos agrícolas deverá reduzir o crédito para as revendas que comercializam seus produtos e financiam as compras. A decisão já aparece nas negociações para a próxima safra. O presidente da Zêneca, Indústria de Defensivos Agrícolas, Joseph Sherman, disse que muitos débitos de financiamentos feitos no ano passado não foram quitados e para esses casos o crédito não será renovado, avisa.
Para Sherman, dificilmente as revendas terão o mesmo crédito que tiveram no ano passado. Segundo ele, este ano a indústria vai negociar com mais cautela e será mais exigente nos cadastros, mesmo que esse rigor custe a redução nas vendas. É melhor vender menos e receber, do que vender e não receber, salientou.
O executivo da Zêneca calcula que dos US$ 2,5 bilhões vendidos, pelo menos US$ 1,5 bilhão foram financiados pela indústria. No Paraná, a Zêneca vende em torno de US$ 40 milhões. A maior parte dos débitos no Paraná já foi quitada, mas tem outra parcela que está sendo negociada.
A indústria de defensivos não está otimista em relação à reação nas vendas de produtos, a partir do segundo semestre. Se o setor repetir o desempenho do ano passado, quando faturou US$ 2,5 bilhões, já será considerado um bom resultado, afirmou Sherman. Para o executivo, não existe euforia, apesar de a indústria já ter detectado uma reação nas vendas de defensivos, neste segundo semestre. A razão, é a queda no preço da soja, carro-chefe do comércio de herbicidas, o produto mais vendido pela indústria de defensivos.
Ocorre que 70% da matéria-prima utilizada na composição dos insumos é importada e o efeito da desvalorização cambial foi repassado para o preço dos produtos, provocando uma alta no mercado. No Paraná, o departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura (Deral) detectou que os principais insumos aumentaram, em média, 45% no período de janeiro a maio desse ano. Os inseticidas e os fungicidas aumentaram, em média, 46% e os herbicidas, 44%.
Para Sherman, no entanto, o aumento no preço dos defensivos não eliminou o lucro do produtor rural com a desvalorização cambial ocorrida em janeiro. A indústria admite que repassou 100% da variação cambial no custo do insumo, mas se defende do ataque dos produtores argumentando que teve que dar descontos, que variaram de 8% a 15% para receber os débitos atrasados.
Apesar disso, a indústria aposta numa reação nas vendas em função da proximidade do plantio da safra de verão, período em que se vende 70% do volume produzido, enquanto no primeiro semestre que registrou queda nas vendas, apenas 30% do volume de defensivos é absorvido pelo mercado. No período janeiro a maio, a indústria de defensivos registrou queda de 26% nas vendas dos principais produtos. A retração foi de 43,4% na venda de herbicidas, de 11,8% na venda de fungicidas, de 9,8% na venda de inseticidas, de 16% na venda de acaricidas, de 33,7% na venda de outros produtos.
Sherman não fala em redução nos preços dos insumos para aquecer as vendas. Segundo ele, o mercado é soberano e essa decisão depende das vendas. Para a técnica do Deral, Margorete Demarchi, os produtores estão apreensivos com o alto custo dos defensivos. A tendência é que possa ocorrer redução na tecnologia, principalmente no uso de fertilizantes.





