Indústria reduz ainda mais produção de aves
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quinta-feira, 01 de agosto de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Empresários das indústrias de aves dos três estados do Sul reuniram-se ontem em Curitiba e decidiram cortar drasticamente a produção de frangos. Eles estão assustados com a alta do dólar e alegam que não podem mais trabalhar no vermelho. Os empresários vão cortar o alojamento de pintinhos e a produção de matrizes em 11%. Esse índice se soma à redução de 8% na produção de frango de corte, decidida em reunião ocorrida no mês passado.
A decisão é uma tentativa de ajustar a produção à demanda que está bastante fraca, disse o presidente do Sindi-Avipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná) Domingos Martins. Segundo ele, as indústrias estão trabalhando no vermelho e agora os empresários não estão conseguindo mais comprar os insumos.
O empresário destacou que o setor vinha sofrendo com a alta no preço do milho, que passou de R$ 9,80 a saca em julho do ano passado para R$ 15,50 este ano. Essa foi a justificativa para a primeira redução na produção de 8%. Agora com a desvalorização cambial, o corte é mais drástico ainda, admitiu o empresário.
Martins lamentou que a desvalorização do câmbio que pressiona os custos de uma lado, não está compensando no aumento da receita nas vendas feitas ao exterior. Ele disse que os compradores internacionais estão dentro do País e acompanham o tumulto na economia provocado pelo dólar. Em função disso, reduzem o valor da carne de frango em dólar. Martins não soube dizer em quanto a carne de frango teve seu valor reduzido em dólar.
Segundo o empresário, este ano a produção de frangos no País atingiu seu recorde com a colocação no mercado de 320 milhões de aves por mês, entre o mercado interno e exportações. Com a primeira redução, a produção caiu para 308 milhões de aves/mês e agora a meta de foi reduzida para 275 milhões. Este é número que o setor acha adequado para ajustar a oferta com a demanda.
Martins disse que há uma sobra de produto no mercado e por causa disso os preços não reagem. Segundo ele, o preço do frango está com uma defasagem no mínimo de 25% - que corresponde à desvalorização cambial ocorrida em julho. Hoje, as indústrias vendem o frango por R$ 1,20 a R$ 1,30 o quilo, que é ''praticamente o mesmo preço praticado há oito anos atrás'', comparou.


