Rio de Janeiro - A produção industrial voltou a crescer em agosto (1,1%), na comparação com o mês anterior, após uma queda de 1,9% em julho. A reação foi puxada especialmente pela recuperação do poder de compra dos consumidores, causada pelo aumento do rendimento médio e pela queda nos preços da alimentação, o que elevou o consumo de bens não duráveis (alimentos, medicamentos entre outros).
  Houve aumento da produção também na comparação com agosto do ano passado (3,8%), mas o chefe da Coordenação de Indústria do IBGE, Silvio Sales, disse que já é possível antever que o terceiro trimestre vai apresentar um crescimento inferior ao registrado no segundo trimestre (2%), ante o trimestre anterior. ‘‘Há uma desaceleração em curso’’, afirmou.
  Segundo Sales, os dados de dois terços do terceiro trimestre, referentes a julho e agosto, mostram um crescimento de 0,3% ante o total do segundo trimestre, indicandi a tendência de menor ritmo de expansão industrial.
  Julio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), disse que ‘‘está bem claro’’ que a produção do terceiro trimestre vai esfriar em relação ao segundo. Ele destacou também que o contraste entre a queda nas vendas apontada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em agosto ante julho (-1,08%) - segundo dados divulgados na quarta-feira - e o aumento da produção apurado pelo IBGE no período pode indicar acúmulo de estoques.
  Na avaliação do economista do Iedi, o aumento dos estoques pode ser proposital para as vendas do final do ano, mas também indesejados. ‘‘Se não for de propósito (os estoques), é um mau sinal para os próximos resultados da indústria’’, disse. Para ele, os dados recentes da indústria mostram uma oscilação forte do desempenho porque o setor ‘‘ainda não encontrou o caminho do crescimento’’.
  Renda - Para Sales, os dados de agosto confirmaram que, além dos efeitos das exportações e do aumento do crédito que garantiram a expansão da produção industrial nos últimos meses, há agora uma maior influência da recuperação do poder de compra dos consumidores sobre a atividade. Segundo ele, há uma ‘‘importância expressiva’’ do mercado interno nos resultados da produção industrial de agosto.
  Prova disso, segundo ele, é que os bens de consumo não-duráveis, que dependem basicamente da renda e do mercado doméstico, puxaram o crescimento do setor em agosto ante julho. Para Sales, isso confirma uma mudança na composição da expansão da indústria. ‘‘A composição tem sido diferente. Noo ano passado, o crescimento foi puxado por investimentos (bens de capital) e bens de consumo duráveis. Agora, pelos bens de consumo em geral (duráveis e não duráveis)’’, disse.
  Ele acrescentou que, ‘‘para além das exportações e do crédito, há indicadores de massa salarial mais favoráveis e desaceleração de preços, especialmente dos alimentos, e esses fatores beneficiam os não duráveis’’. Para Gomes de Almeida, os dados de agosto mostram que ‘‘o mercado doméstico cresceu bem, mas não há certeza se é um espasmo ou tendência’’.
 
 Investimentos - A pesquisa industrial mostrou que a produção de bens de capital, que ilustra como estão os investimentos em máquinas e equipamentos, reverteu em agosto as quedas apresentadas em julho, com crescimento ante mês anterior (3,1%) e em relação a agosto do ano passado (3%). Os dados abertos de bens de capital, comparativos a agosto de 2004, mostraram uma pequena redução nas máquinas para fins industriais (-0,7%), que sinalizam os investimentos realizados na própria indústria, para modernização ou ampliação de capacidade.

mockup