Indústria quer taxar importação em 10%
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sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Vânia Casado 
As indústrias moageiras se unem aos produtores de trigo na defesa de uma taxa de 10% sobre o produto importado. Este consenso era inimaginável há quatro anos, quando foram derrubadas as alíquotas de importação do trigo do Mercosul. Na época, a indústria alegava que a produção nacional precisava avançar em produtividade e qualidade para competir com o produto importado.
Hoje, tanto produtores quanto a indústria do trigo estão sofrendo as consequências da abertura escancarada ao Mercosul. Para se ter uma idéia, essa dependência custa à economia brasileira US$ 840 milhões com a importação de grãos e US$ 144 milhões com a importação de farinha. As indústrias moageiras estão sofrendo com a concorrência da farinha de trigo importada da Argentina, principalmente na região Nordeste do País. Com a importação maciça de farinha do Mercosul, as indústrias estão ficando ociosas.
Preocupados em reverter esta situação, as cooperativas de produtores dos estados da região Sul e as indústrias entraram em acordo e entregaram um documento ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, com sugestões e medidas para recuperar a triticultura nacional. O documento foi entregue na última quarta-feira. Produtores e moageiros aguardam mudanças já para a próxima safra. Ele prevê um conjunto de medidas que devem ser adotadas até o ano 2.003 que deverá resultar numa safra de 5 milhões de toneladas. A meta é aumentar a produção de trigo em 500 mil toneladas a cada ano.
Entre as medidas, antecipadas pela Folha no mês passado, está o aumento do preço mínimo de R$ 157,00 a tonelada para R$ 175,00/t para o trigo superior tipo 1. Com a alíquota de 10% sobre o produto importado, o trigo chegaria ao País por US$ 160,60 (R$ 192,72) a tonelada, preço que favoreceria a demanda pelo produto nacional. A mesma regra deve ser imposta à importação de farinha e de produtos derivados como massas, biscoitos, pães, bolos, etc.
Para o setor produtivo, foi sugerido que o governo promova a alocação de R$ 300 milhões para financiar o custeio da próxima safra. Com esses recursos será possível financiar o cultivo de 1,5 milhão de hectares e produzir 3 milhões de toneladas no ano que vem. Esses recursos, no entanto, devem ser concedidos com taxas de juros de no máximo 5,75%, que equivalem às taxas do Pronaf (Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar), já que a maioria dos produtores na região Sul cultiva até 20 hectares.
Para que a cultura seja bem sucedida, sem frustração como ocorreu na safra deste ano, o documento sugere alterações na implementação do Proagro, como a inclusão das perdas por seca e a cobertura de doenças fúngicas até que a pesquisa desenvolva variedades mais tolerantes. Além disso, produtores pedem que seja estudada uma conceituação mais exata do que seja chuva excessiva na colheita. O assessor da Ocepar, Guntolf Vai Kaick alegou que este ano ocorreram chuvas, seguidas de muita nebulosidade, cujos efeitos na lavoura foram semelhantes se ocorressem excesso de chuvas.


