Indústria quer exportar carro popular
A disparada do dólar, a alta dos juros e o ambiente de incertezas e de queda na demanda e da atividade da economia brasileira, no mesmo passo da economia mundial, forçaram a indústria automobilística a um ajuste da produção que, se for mantido por um ano seguido, pode reduzir a montagem de veículos para cerca de 1,2 milhão a 1,3 milhão. ''Esse é hoje o tamanho do mercado brasileiro'', diz Paulo Butori, presidente do Sindicato da Indústria de Autopeças (Sindipeças).
Limitado pela renda do consumidor brasileiro, o mercado de automóveis é um mercado inconstante, com um movimento de ''stop and go'' (pára e anda). Agora, está parando. Com capacidade para montar até 3 milhões de unidades, o setor começou o ano projetando vendas de 1,9 milhão de unidades, viu esse número ser reduzido para 1,7 milhão e está em trajetória de queda. Ancorada na produção do carro popular, que tem 75,2% do mercado nas vendas somadas até 30 de setembro, a indústria automobilística ensaia gestões junto ao governo para estimular o setor via exportações.
''A saída é vender para o exterior. O nosso carro popular é um dos mais baratos do mundo. Se o governo quiser apostar, podemos colocar esse carro lá fora a US$ 4 mil, menos do que o preço de uma bicicleta européia, que chega a US$ 6 mil'', diz Butori. Segundo ele, o Brasil não teria problemas em ganhar mercados com características de consumo semelhantes, entre os quais China, Índia, países da África e da América Latina.
No Brasil, no acumulado de 12 meses encerrados em agosto, o preço do automóvel novo subiu 6,04%, contra uma inflação no período de 5,61%. ''Não houve pressão de preços dos automóveis porque não há espaço no mercado'', diz o coordenador da pesquisa do IPC da Fipe, economista Heron do Carmo. Esse aperto leva a um festival de descontos e promoções. Hoje, um modelo 1.0 está custando em torno de US$ 4,5 mil, bem abaixo dos US$ 6,8 mil fixados pelo programa do carro popular, em 1993.





