Indústria quer dobrar a frota brasileira
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segunda-feira, 14 de julho de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaA frota brasileira hoje é de 15 milhões; para se equiparar à da Argentina, precisa dobrarO Brasil precisaria dobrar a atual frota de veículos para ter a relação habitantes/veículo igual à da Argentina. O Brasil tem hoje 10 habitantes por veículo e a Argentina, cinco. É a certeza de que a diferença pode diminuir em pouco tempo que leva as montadoras a acreditar no crescimento do mercado brasileiro. E a investir em novas fábricas. A frota brasileira hoje é de 15 milhões de veículos. Poderia chegar a 30 milhões só para obter uma relação de número de habitantes por veículo igual a da Argentina.
O único receio do setor é que o governo venha a editar novas medidas para frear o consumo. Há poucos dias os principais dirigentes da indústria automobilística tiveram duas reuniões reservadas com o presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, para saber qual é a real estratégia do governo. Loyola disse aos executivos das montadoras que o governo de fato teme por um explosão do consumo. Mas, por enquanto, não deve decidir por nenhuma medida drástica.
Para Hiroyuki Okabe, diretor-superintendente da Toyota do Brasil, o almejado crescimento do mercado brasileiro de veículos depende sobretudo do governo. É o governo que tem que decidir pela redistribuição de renda e aprovação das reformas, afirma, referindo-se às duas prerrogativas que ele considera como básicas para aumentar o número de carros no Brasil.
Okabe deixa o cargo esta semana. Ele foi promovido e vai voltar para a matriz da terceira maior montadora do mundo, de onde comandará os negócios das três Américas. Agora eu posso explicar para a alta direção da Toyota que o melhor mercado hoje para investir em produção de veículos é o Brasil, destaca.
Posso fazer isso porque senti na pele, completa, referindo-se às dificuldades de convencer os japoneses, tradicionalmente céticos. Segundo representantes da subsidiária brasileira, alguns executivos do Japão não sabem sequer que São Paulo é uma região desmembrada da Amazônia. Houve até os que chegaram a perguntar se havia avião para o Brasil quando a empresa começou a planejar o investimento numa nova fábrica.
Frota Para os executivos da indústria automobilística, é engano utilizar o argumento do inchaço dos centros urbanos como justificativa para evitar o crescimento da produção de carros no Brasil. Esta também era a preocupação nos Estados Unidos, lembra o diretor de Assuntos Corporativos da General Motors, José Carlos Pinheiro Neto. Segundo ele, a solução encontrada para cidades como Nova York foi o deslocamento de moradores para pequenas povoações ao redor. É como se fizéssemos muitas Alphaviles em torno de São Paulo, por exemplo, destaca.
É por acreditar que chegou a hora de dobrar a frota brasileira que nenhuma das montadoras que decidiram por começar a produzir ou ampliar investimentos no Brasil quer voltar atrás. Até o ano 2000 - quando expira o regime automotivo que criou incentivos para investimentos - haverá perto de 45 novas fábricas de veículos - 25 só no bloco Nordeste-Centro-Oeste. As 20 novas fábricas que serão instaladas fora do Nordeste vão concentrar os maiores investimentos. Somente esses novos projetos vão somar US$ 8 bilhões.


