Indústria quer barreira contra importados
Indústria quer barreira contra importados
Setor de eletros abre guerra contra produtos de má qualidade para retomar vendas e pede ao governo maior fiscalização
Carmem Murara
Marcelo AlmeidaConcorrência deslealZulfiro Bósio, novo presidente regional da Abinee (em primeiro plano), e o presidente nacional, Benjamim Funari Neto: nosso maior problema é não ter isonomia com o mercado importado, com que não conseguimos competirA indústria eletroeletrônica inicia uma campanha nacional para combater os produtos importados que são vendidos fora das especificações básicas de qualidade. Os empresários querem criar barreiras tecnológicas, que dificultem a entrada de aparelhos eletrônicos e equipamentos que não tenham cerfificação de qualidade. A guerra contra os importados de má fabricação pode ser um instrumento para retomar as vendas da indústria nacional, que tenta se recuperar de uma crise nas vendas agravada com o pacote econômico do final do ano passado.
Os empresários querem que o Ministério da Indústria e Comércio se envolva na fiscalização dos importados, implantando as barreiras. Hoje, muitas indústrias nacionais são obrigadas a ter os certificados compulsórios ou voluntários de qualidade total para se manterem competitivas, enquanto muitos importados não atendem nem mesmo as normas básicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Os empresários colocam os juros altos e a concorrência desleal dos importados como os principais inimigos da indústria eletroeletrônica naciconal. O nosso grande problema é não ter isonomia com o mercado importado. Não conseguimos concorrer com o importado, afirmou ontem o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Benjamim Funari Neto.
O presidente da entidade esteve em Curitiba para acompanhar a posse do empresário Zulfiro Bósio na direção regional da Abinee. Ele ressaltou que a campanha para valorizar o produto nacional vai enfatizar que o consumidor deve preferir a marca brasileira, desde que ela esteja com o mesmo preço da importada.
O diretor superintendente da Abinee, Dário Bampar, fez uma comparação para ressaltar como a indústria nacional é prejudicada: uma geladeira nos Estados Unidos tem 6% de impostos, enquanto no Brasil tem 38%. E quando vamos exportar temos que pagar mais um tanto de impostos, protestou Bampar.
Uma das preocupações dos empresários é a enxurrada de produtos chineses no mercado brasileiro. A última novidade é a lâmpada importada da China que custa a metade do preço da nacional e está sendo vendida em São Paulo. Só que dura metade do tempo, rebateu de pronto o presidente da Abinee.
Com a concorrência dos importados - considerada desleal pelos empresários brasileiros - e com as consequências da crise asiática, a indústria dos eletroeletrônicos amarga queda nas vendas. O primeiro trimestre deste ano fechou com redução de 3% sobre o trimestre anterior. O resultado seria pior, não fosse pelos segmentos da indústria de geração e distribuição de energia, componentes eletrônicos e automação industrial, que fecharam com crescimento acentuado acima dos 20%, nos três primeiros meses do ano. Impulsionado pelo programa de privatização, a indústria de geração e distribuição de energia teve o maior aumento nas vendas com 27%.





