Indústria quebrou o recorde de produção do Real no ano 2000
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terça-feira, 09 de janeiro de 2001
Agência Estado Do Rio 
A produção industrial aumentou 6,4% entre janeiro e novembro do ano passado, de acordo com números divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo sem os dados de dezembro, o número já representa a maior variação positiva na produção industrial desde 1994, quando a expansão foi de 7,6%.
Na comparação com o mês de outubro, no entanto, a indústria registrou em novembro retração de 0,2%. O chefe do departamento de indústria do IBGE, Silvio Sales, acredita que esta queda não compromete a tendência de crescimento contínuo e suave do setor.
A queda está dentro de um padrão de oscilação que caracterizou a indústria no ano passado. Em alguns meses, observamos retrações, mas a recuperação sempre foi superior, explicou. Em comparação com novembro de 1999, a indústria cresceu 4,8%.
A coordenadora-adjunta da unidade de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Simone Saisse Lopes, também não acredita que a retração de novembro indique uma mudança na tendência de crescimento. A indústria entrou em processo de recuperação em 2000 e é razoável um arrefecimento no fim do ano. O número negativo também pode ter sido provocado por algum efeito estatístico, diz.
A economista acredita que é possível que os números de dezembro também mostrem alguma retração na indústria, que poderia reduzir o crescimento de 6,4% registrado até novembro. Mas acho improvável que o ano feche com crescimento inferior a 6%, avaliou (confira no quadro a performance da indústria brasileira desde 1994).
Silvio Sales disse que as notícias de um bom desempenho do comércio e do emprego em dezembro podem indicar que os números do mês também serão favoráveis também para o setor industrial. Pode ter havido um aumento na produção para reposição de estoques, explicou o economista.
Sales observou que o crescimento da indústria no ano 2000 foi puxado pelos segmentos de bens de capital (13%) e bens de consumo duráveis (19%). O crescimento nos bens de capital reflete a expectativa de evolução da indústria. Já os bens de consumo duráveis foram favorecidos pela expansão no crédito, explicou Sales.
Os bens intermediários também tiveram um crescimento, mas menos pronunciado (6,9%), enquanto os semiduráveis e não-duráveis apresentaram retração (-1,2%). A recuperação do emprego e da renda indica que pode haver uma melhora nos semiduráveis e não-duráveis, disse Sales.
Na análise por ramos industriais, o crescimento de 2000 sustentou-se principalmente no complexo metal-mecânico, com destaque para as variações de 17,9% na indústria mecânica, 17,7% no setor de material de transporte, 8% na metalurgia e 11,4% na produção de material elétrico e de comunicações.
O IBGE destaca ainda a recuperação das indústrias têxtil (6,2%) e de vestuário (6,6%). A principal influência negativa no ano 2000 foi da indústria alimentar, que teve retração de 3,3% no acumulado entre janeiro e novembro.


