Indústria puxa crescimento do PIB
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quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 1,4% ante o primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal, o que significa um ritmo anualizado de 5,7%. A economia cresceu bem acima da americana no segundo trimestre, cujo resultado anualizado foi revisto ontem de 3,4% para 3,3%. O resultado do PIB trimestral foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento do PIB brasileiro veio no topo das expectativas do mercado e foi particularmente comemorado por incluir uma vigorosa recuperação dos investimentos, que cresceram 4,5% (19,3% em termos anualizados) na comparação com o trimestre anterior, depois de dois trimestres de queda nessa base de comparação.
Em relação ao mesmo período de 2004, o PIB cresceu 3,9%, acima das expectativas mais altas do mercado, que eram de 3,8%. No primeiro semestre, a taxa anualizada de crescimento foi de 3,4%. Nos quatro trimestres até o fim de junho, a economia cresceu 4,3%.
O crescimento foi comandado pela indústria, com 3,04%, um ritmo anualizado de 12,7%. O destaque na indústria foi a atividade extrativa mineral, que inclui petróleo, gás natural e carvão mineral, que cresceu 17,5%, quando se compara o segundo trimestre de 2005 com igual período de 2004. Já o subsetor de desempenho mais fraco no segundo trimestre foi o de comunicações, com recuo de 1,7% ante igual período de 2004, prejudicado pela queda de 19% nas ligações interurbanas nacionais.
Apesar do destaque para a indústria, os outros setores da economia também tiveram bom desempenho. Comparado ao trimestre anterior, a agropecuária cresceu 1,1% (4,5% em termos anuais) e os serviços, 1,2% (4,9% anuais). O consumo das famílias, na comparação com o trimestre anterior, em termos dessazonalizados, cresceu 0,9% (3,6% anuais) e o consumo do governo expandiu-se 1,1% (4,5% anuais).
A gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, disse que o PIB do segundo trimestre mostrou que, enquanto os efeitos diretos do comércio exterior começam a perder fôlego, os efeitos multiplicadores das exportações estão mais visíveis. Rebeca destacou que, até o primeiro semestre de 2004, o PIB estava sendo puxado basicamente pela agropecuária e as exportações. Do segundo semestre de 2004 para cá, a indústria passou a apresentar mais fôlego, assim como o consumo das famílias e os investimentos.
Rebeca lembra que houve aumento do crédito para a pessoa física e também dos financiamentos de longo prazo para infra-estrutura. O consumo das famílias está sendo positivamente influenciado pela forte expansão do crédito pessoal e, ainda, pelo crescimento da massa salarial (número de ocupados multiplicado pelo rendimento médio) que, segundo Rebeca, foi de 3,6% no segundo trimestre, ante igual período de 2004. Segundo ela, esse aumento está ocorrendo por causa do crescimento do número de ocupados e tem efeito importante no consumo doméstico.


