Indústria produziu menos em setembro, segundo o IBGE
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quarta-feira, 08 de novembro de 2000
Agência Estado Do Rio 
O ritmo de crescimento da produção industrial se desacelerou de agosto para setembro segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção industrial cresceu 3,3% em setembro sobre o mesmo mês do ano passado, mas no mês anterior, ela havia aumentado 7,8% em relação a agosto de 99. A tendência da indústria brasileira é continuar crescendo, mas a taxas menores, diz Paulo Gonzaga, do Departamento de Indústria do IBGE.
A desaceleração no crescimento é atribuída por Gonzaga ao fato de a base de comparação em setembro do ano passado ser mais elevada, pois foi quando a produção industrial começou a crescer. Pelo fato de a base de comparação nos próximos meses ser cada vez mais alta é que ele acredita que as próximas taxas de crescimento serão menores. Ele acrescenta que o fato de setembro deste ano ter tido mais dois dias úteis que setembro do ano passado também influiu.
Para a especialista em nível de atividade da Tendências Consultoria Integrada Caroline Silveira, o fato de a base de comparação em setembro do ano passado ser mais alta que a de agosto é uma das explicação, mas não a única para o ritmo de crescimento da indústria em geral ter caído. Ela avalia que o choque de inflação de julho e agosto que atingiu o comércio e a renda, aparentemente afetou a indústria em outubro, principalmente a de bens de consumo não duráveis.
Segundo o IBGE, a produção de bens de consumo não duráveis (produtos que acabam com o uso, como alimentos, fumo e gasolina) em setembro caiu 5,4% em relação ao mesmo mês do ano passado contra uma variação inexistente de agosto deste ano contra agosto do ano passado.
Caroline levanta a hipótese também de ter ocorrido uma redução das exportações de bens duráveis (como automóveis), mas diz que é preciso aguardar a divulgação do número das exportações de outubro para verificá-la. Ela destaca a redução de 8,1% na produção de bens de consumo durável de agosto para setembro e considera que essa queda pode estar associada à uma redução na exportação ou ter sido afetada também pela inflação de julho e agosto. A redução de 0,2% na produção industrial em geral de agosto para setembro mostrada pelo IBGE pode ser considerada como estabilidade e não chega a ser significativa, de acordo com Caroline.
Na categoria de bens de consumo duráveis, a taxa de crescimento em relação ao mesmo mês do ano passado passou de 20 1% em agosto para 3,4% em setembro. Nos bens de capital (basicamente máquinas e equipamentos), as taxas de crescimento passaram de 25,8% em agosto para 18,9% em setembro. Nos bens intermediários (como plásticos, papel e papelão), a redução foi de 7% em agosto para 4,2% em setembro.


