Arquivo FolhaRetração sazonalJosé Carlos Gomes de Carvalho: ‘‘Dezembro é um mês onde se vende muito e por isso janeiro é mais fraco’’A atividade industrial paranaense perdeu fôlego no mês de janeiro. As vendas apresentaram uma queda de 2,63% em relação ao mês de dezembro. Os números são contrários aos nacionais, onde houve um crescimento de 3,7% no mesmo perído, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria. O nível de emprego apresentou uma redução de 1,49%, o que representa o fechamento de 4,5 mil vagas de trabalho.
O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, justifica a queda dizendo que janeiro é tradicionalmente desaquecido para a indústria. ‘‘Dezembro é um mês onde se vende muito e por isso janeiro é mais fraco’’, afirmou Carvalho. Para justificar a queda ele compara o resultado de janeiro deste ano com janeiro do ano passado. Os números foram positivos. O aumento da atividade industrial foi de 9,7%, mas também ficou abaixo do crescimento médio nacional. A Confederação Nacional da Indústria aponta um aumento médio de 10,55% nas vendas no setor industrial no País.
A variação negativa de janeiro em relação a dezembro foi verificada em 10 dos 18 gêneros industriais pesquisados. O que mais puxou os números para baixo foram os setores de perfumaria, sabões e velas (-47,46%); químico (-14,11%); couros, peles e produtos similares (-11,62%). ‘‘O setor de perfumaria reflete bem que as vendas acontecem em dezembro e não em janeiro’’, afirmou Carvalho. Os setores de química e couro fecharam com crescimento negativo na comparação anual e também nos últimos 12 meses (janeiro de 96 com janeiro de 97).
Segundo boletim da Fiep, o resultado negativo reflete ainda um decréscimo nas relações de troca da indústria paranaense com o seu mercado interestadual (-4,57%) e com o mercado internacional (-22,40%). Os outros Estados absorveram mais 6,49% da produção vendida em janeiro do ano passado do que no mês de dezembro de 95.
No caso do emprego, os gêneros de química e produtos alimentares foram os que tiveram a maior queda. O nível de emprego no setor de química apresentou um decréscimo de 9,78% e o de alimentos 3,59%. Os números negativos podem refletir uma reacomodação dos empregados da área sucro-alcooleira. As empresas deixaram de contabilizar os empregados contratados para os períodos de safra por decisão do Supremo Tribunal Federal. Os trabalhadores não perderam o emprego, apenas houve uma transferência para outros setores da economia.

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