A produção industrial do País registrou em fevereiro crescimento de 1,5% sobre o mesmo mês do ano passado, no mais fraco desempenho do setor desde outubro de 1999, quando houve um aumento de 3,2%. O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, alertou, no entanto, que os dados do primeiro bimestre do ano, que apontam um incremento de 6,5% na produção na comparação com o mesmo período de 2000, demonstram que o ritmo de crescimento do setor continua ‘‘tão elevado quanto no ano passado’’.
Para Sales, o indicador da produção acumulada nos últimos 12 meses até fevereiro, que atingiu 6%, é outro forte sinal de que as indústrias continuam em crescimento acelerado. Ele explicou que a desaceleração em fevereiro, uma queda brusca ante o crescimento de 11,8% registrado em janeiro sobre o mesmo mês de 2000, ocorreu, provavelmente, devido ao menor número de dias úteis do mês, por causa do carnaval. Na comparação com janeiro, a indústria cresceu 0,8%.
A produção de bens de capital para o setor industrial começou a dar sinais de desaceleração. O segmento, que apresentou um aumento de 15,6% no acumulado do ano passado, cresceu apenas 1,4% no primeiro bimestre deste ano (na comparação com o mesmo período de 2000). Sales disse que o desempenho desse segmento é um termômetro dos investimentos na elevação da capacidade de produção das indústrias. ‘‘Os empresários podem estar mais cautelosos.’’
VendasAs vendas na indústria acumularam alta de 11,61% no primeiro bimestre de 2001, segundo dados dos Indicadores Industriais de fevereiro elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O ritmo de expansão no setor, entretanto, deverá ser mais moderado por causa do aumento da taxa de juros básicas da economia, de 15,25% para 15,75% ao ano, estabelecida pelo Banco Central no mês passado. A avaliação é do presidente da CNI, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira, que classificou a alta como temporária e pontual. ‘‘Caso a taxa de juros permaneça nesse nível, os efeitos serão sentidos na indústria nos próximos três meses’’, disse.
O economista da entidade Flávio Castelo Branco afirmou que se na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) houver uma nova elevação dos juros, haverá uma reversão da expectativa na indústria, que até o momento é otimista. ‘‘A alta dos juros por enquanto foi pequena, servindo mais como sinalização ao mercado’’, afirmou.

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