Indústria produziu 4,1% mais em maio
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
Agência Estado 
A produção industrial brasileira cresceu 4,1% em maio em comparação com o mês anterior, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com maio de 1997, o crescimento ficou em 2,2%. O setor de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis conseguiu expandir-se em 4,4% ante o mês anterior, melhor desempenho já registrado pelo IBGE nesta área, desde que começou a fazer a pesquisa, em 1975.
Com o bom resultado observado no mês para a indústria em geral, diminuiu a queda acumulada da atividade industrial, de -1% em abril para -0,3% em maio. A taxa acumulada em 12 meses permaneceu estável em 1,7%. O comportamento positivo da indústria, de acordo com o IBGE, deveu-se à manutenção do crescimento da indústria de bens de capital, aliada à recuperação na produção de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis.
O setor de bens de consumo duráveis (automóveis e eletroeletrônicos, principalmente), importante por sua ligação com todos os outros tipos de indústria, teve uma reação mais lenta: o crescimento foi de 5,6%, em relação a abril, mas há uma queda de 19,3% na taxa acumulada no ano e de 9,5%, quando observados os últimos 12 meses. Na comparação com maio de 1997, o índice apresentou retração de 11,4%.
O setor de duráveis foi o mais atingido pela crise asiática e vem reagindo, mas ainda de forma que não compensa a redução de outubro, constatou Silvio Sales, chefe do Departamento Industrial do IBGE.
A produção de bens intermediários foi a única cuja alta, em maio sobre abril, ficou abaixo da média geral (2,4%). Sales estimou que, apesar da reativação da produção industrial, o crescimento do setor deve ser zero neste primeiro semestre e pode chegar a 1% ou 2% no ano - não se levando em conta a atividade da construção civil e dos serviços industriais públicos, que entram no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. As privatizações, as obras públicas e a atividade econômica informal durante a campanha eleitoral vão contribuir para o crescimento.
Em relação aos bens duráveis, afirmou Sales, a recuperação ainda depende da venda dos estoques das indústrias de eletrodomésticos e automóveis. Para o economista, a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não vai ter efeitos imediatos no aumento da oferta de crédito.
O coordenador-adjunto de Política Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Flávio Castelo Branco, está otimista em relação ao impacto da redução do IOF. A medida, lembrou Castelo, vai ajudar os inadimplentes a renegociarem suas dívidas em melhores condições. Apesar disso, o economista avisou que o crescimento não vai servir para recuperar a queda de atividade econômica provocada pelas medidas de restrição ao consumo adotadas em outubro do ano passado. Ainda estamos pagando a crise asiática, afirmou Castelo.
O economista adiantou que os dados registrados pela CNI indicam resultados ruins para as vendas da indústria em junho - que também foi influenciado pela redução da atividade econômica durante a Copa do Mundo. Talvez tenhamos novos números negativos em junho, mas neste trimestre, eles devem melhorar, informou o coordenador-adjunto de Política Econômica da CNI.


