Indústria produz mais em nove regiões. Mas o PR tem queda de 9,7%
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terça-feira, 13 de junho de 2000
Das Agências Do Rio 
O desempenho da indústria paranaense relativo aos últimos doze meses (fechado em abril) foi na contramão da média brasileira. Estudo divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica recuperação de 9 entre 12 regiões pesquisadas. Mas o Paraná ficou no time dos Estados que apresentaram resultado negativo.
O Instituto verificou que as indústrias do Paraná (-9,7%) e de Pernambuco (-4,2%) prosseguem em queda (veja no quadro abaixo). A indústria da Região Sul, depois de altas consecutivas desde agosto do ano passado, teve sua primeira queda (-1,3%) neste tipo de comparação (abril contra abril).
Já a indústria paulista mostra os efeitos de sua retomada nesse que é o mais lento dos indicadores: o que acompanha o desempenho do setor no acumulado de doze meses. Esse índice, que vinha mostrando resultados negativos desde outubro de 98, foi de 0,7% em abril.
Naquele mês, a indústria paulista, superando a média nacional (3,3%), já exibia o sétimo aumento consecutivo (3,5%) contra o mesmo mês do ano anterior, justificado pelo desempenho dos setores mecânico (11,5%) e de material de transporte (9,6%). Também no acumulado do ano, São Paulo (8,1%) supera a média nacional (6,6%).
A pesquisa do IBGE mostra que a produção industrial brasileira subiu em nove das doze regiões pesquisadas no mês de abril. As mais altas variações foram as das indústrias do Ceará e do Espírito Santo, ambas de 5,3%, sobre abril do ano passado. O segundo melhor índice foi o de Minas Gerais (4,2%). Também teve resultado positivo e acima da média nacional Santa Catarina (3,8%).
Outros resultados positivos foram os das indústrias do Nordeste (3,2%), da Bahia (2,9%), do Rio Grande do Sul (2,5%) e do Rio de Janeiro (2,1%), onde a indústria extrativa (ou seja, o petróleo) volta a justificar o resultado positivo.
O desempenho das indústrias pelo indicador acumulado nos primeiros quatro meses também foi positivo em nove das doze regiões sondadas pelo instituto. O melhor desempenho, nessa comparação, foi o da indústria mineira (11,1%), onde a maior influência vem dos setores metalúrgicos (14,5%) e de produtos alimentares (28,7%).
Acima da média nacional também aparecem as indústrias gaúcha (10,2%), onde o destaque foi a indústria química (26,6%), cearense (9,6%) e capixaba (8,5%), além da paulista já mencionada. Pernambuco e Paraná aparecem novamente com quedas nesse indicador, de 8,4% e de 5,6%, respectivamente, resultados puxados pelo setor de alimentos, cuja queda já está em 33,4%.
A média nacional nos quatro primeiros meses do ano foi de crescimento de 6,6% em relação a igual período do ano passado. Para o ex-diretor do Banco Central e professor do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o indicador é muito positivo e mostra realmente o que ocorreu no primeiro quadrimestre, com a indústria retomando o seu fôlego. Mesmo assim, Freitas Gomes afirma que é prematuro apostar, com base nesse indicador, que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no período de um ano, possa chegar a 4% este ano ou mesmo ultrapassar esse indicador.


