Indústria produz mais e emprega menos
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quinta-feira, 29 de junho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Desde 1992, as vendas da indústria de transformação no Brasil tiveram crescimento de 45% (em dinheiro) enquanto o número de pessoas empregadas diminuiu 26% e seus rendimentos aumentaram 35%. Já a produtividade por empregado aumentou 95%, segundo cálculos da Subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, divulgados ontem.
A produtividade, portanto, cresceu 45% mais do que os salários, proporcionando forte economia com mão-de-obra para as indústrias não repassada à sociedade na forma de aumento salarial, de redução de jornada de trabalho ou de preços ao consumidor, segundo o economista Osvaldo Cavignato, que coordenou o estudo, feito com base em dados na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O deflator utilizado para calcular valor real das vendas e dos salários foi o IPA-FGV. O trabalho do Dieese será utilizado pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, na campanha pela redução do tempo semanal de trabalho das 44 horas previstas na Constituição para 36 horas.
Marinho comanda uma base de 100 mil trabalhadores, que já foi de 200 mil na década de 80. O sindicato conseguiu nos últimos anos reduzir o tempo semanal de trabalho nas montadoras de veículos de 44 horas para 40 horas a última a reduzir será a Volkswagen, que adotará a nova jornada a partir de segunda-feira e em algumas empresas de autopeças.
Os metalúrgicos estão propondo para o Congresso Nacional, além da redução de jornada, limitação legal de horas extras. Marinho propõe que, além de ter remuneração maior, a hora extra seja convertida em descanso para o empregado. Com isso, as empresas não a utilizariam como meio de dar conta da produção normal.
O desemprego no ABC caiu de 20,6% da População Economicamente Ativa (PEA) em abril para 20,4% em maio segundo pesquisa Seade-Dieese. No mês, foram criados 10 mil postos de trabalho. Em 12 meses, a região ganhou 43 mil ocupações. Mas o principal indicador de recuperação foi sentido na renda. O rendimento médio real dos ocupados cresceu 2,4% em abril (último dado disponível), em relação a março. Entre os assalariados do setor privado, o aumento foi de 3,3%. E entre os assalariados da indústria o aumento da renda foi de nada menos que 6,3%.


