Indústria prevê repasse de preços
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O governo terá trabalho para evitar que os reajustes nos preços industriais contaminem a inflação ao consumidor neste final de ano. A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que oito dos 20 setores pesquisados estão dispostos a elevar seus preços acima da média do setor. A maior pressão virá do ramo de automóveis, com 100% das montadoras prevendo fortes aumentos para o último trimestre do ano.
Com o fim do acordo automotivo, o setor está com mais apetite para subir os preços, explicou o diretor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Salomão Quadros. Nem a expectativa de queda na produção e na geração de empregos está desanimando o setor, que pretende repassar ao consumidor seus reajustes. A sondagem mostrou que 57% dos empresários esperam uma retração na produção de automóveis no último trimestre do ano, enquanto apenas 13% acreditam em uma recuperação da atividade.
Mas, a pressão inflacionária não ficará concentrada apenas no segmento automobilístico. Os empresários dos ramos de refrigeração, siderurgia, eletrodomésticos, produtos alimentares, celulose e papel, petroquímicos básicos e têxtil também estão dispostos a repassar seus aumentos de custos. A sondagem da FGV foi realizada com 1.493 companhias, que juntas faturam R$ 169,9 bilhões.
Quadros destacou que alguns desses segmentos têm um peso grande na cesta de consumo da população brasileira, como alimentos, eletrodomésticos e têxtil. As empresas de bens duráveis vão liderar os reajustes, pois tiveram dificuldades de repassar aos preços os aumentos de custos este ano, afirmou. O reaquecimento da economia e a melhora do crédito vão abrir caminho para esse movimento.
A pesquisa mostrou ainda que entre os setores consultados, 12 prevêem uma queda do nível de emprego acima da média da indústria entre outubro e dezembro. Os dados indicam que 80% dos fabricantes de caminhões esperam enxugar seus quadros de funcionários.





