As indústrias de derivados de leite já admitem que a entrada de produtos lácteos argentinos será bem menor este ano. O governo brasileiro excluiu das negociações com a Argentina a retirada de exigências para a entrada de produtos agrícolas. O ministro Pratini de Morais haiva adotado uma posição firme em favor da manutenção dos preços aos produtos brasileiros. Tanto que na segunda-feira não viajou para Buenos Aires com o presidente FHC, alegando que não havia produtos agrícolas na pauta de negociações. E reafirmou, mais uma vez que, apesar da grave crise por que passa a economia argentina, o Brasil não tem como fazer mais concessões na área agrícola. Pratini citou, entre as medidas já implementadas que o País não pode abrir mão, o acordo de preços que impede as empresas argentinas fabricantes de leite em pó de praticar dumping (preço mais baixo que o mercado de origem) no Brasil.
O acordo está em vigor desde o ano passado e determina que nenhuma tonelada de leite em pó argentino entre no Brasil por menos de US$ 1,9 mil a tonelada.
Existe ainda um processo aberto pelos exportadores de frango brasileiros na Organização Mundial do Comércio (OMC) com o objetivo de anular a fixação de um preço mínimo estabelecido pela Argentina em julho de 2000 para as importações do produto brasileiro.
Esta barreira reduziu a zero as vendas de empresas como Sadia, Perdigão e outras para o país vizinho ocasionando um prejuízo de cerca de US$ 50 milhões desde que o preço mínimo entrou em vigor. O processo com o pedido de abertura de um ‘‘painel’’ na organização deve ser formalizado ainda neste mês.
O ministro da Agricultura defendeu mais uma vez a criação de mecanismos bilaterais, como a ampliação do Convênio de Crédito Recíproco (CCR), para garantir a liquidez do comércio entre Brasil e Argentina.

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