Indústria prevê elevação de estoques no 3º trimestre
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quinta-feira, 09 de junho de 2011
Francisco Carlos de Assis <br> Agência Estado 
São Paulo - Embora o otimismo não seja o mesmo medido no começo do ano, o setor industrial brasileiro se prepara para acelerar o ritmo de trabalho com vistas ao aumento sazonal da demanda de fim de ano, a partir do terceiro trimestre. Não há dúvida, de acordo com o gerente-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, de que as medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo federal no fim do ano passado estarão ''em pleno efeito no segundo semestre''. Isso, de acordo com ele, levará a um crescimento menor da atividade na margem, mas não será suficiente para reverter o padrão sazonal, que estimula a indústria produzir mais para compor estoques neste período.
O economista do Itaú Unibanco, Aurélio Bicalho, salienta a importância de considerar o padrão sazonal na análise da atividade a partir de julho. ''É importante considerar que o aumento da taxa de crescimento da atividade no terceiro trimestre é sazonal. Tanto que o pico da produção industrial costuma ser em outubro'', diz. ''Como o pico das vendas do varejo se dá em dezembro, de julho a outubro a produção se acelera para que no máximo em novembro o varejo esteja recebendo as encomendas'', explica Bicalho.
A divulgação da elevação de estoques, simultaneamente à desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, foi comemorada pelo governo como um dos indicadores do desaquecimento da economia brasileira. A sondagem de abril da CNI confirma que os estoques tiveram um ligeiro aumento em relação a março, saindo de 50,5 pontos para 51,8 pontos numa escala de 0 a 100. No mesmo mês do ano passado, os estoques estavam em 48,7 pontos na escala. O aumento, segundo a sondagem, foi maior nas grandes empresas, onde o nível dos estoques saltou de 51,1 pontos em março para 53,4 em abril.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, o aumento dos estoques no primeiro trimestre reflete a conjuntura econômica que levou ao menor ritmo das vendas no período. Nos primeiros três meses de 2011, as vendas fecharam abaixo do registrado em relação a iguais períodos do ano anterior. Pela ordem, as taxas de crescimento em janeiro, fevereiro e março deste ano foram de 1,10%, 0,30% e 1,20%, ante 3,10%, 1,40% e 2,10% em iguais meses de 2010.
Tendência
''A tendência, pelas experiências anteriores, é de que no terceiro trimestre o ritmo de produção aumente porque é normal as empresas aumentarem seus estoques para as vendas de fim de ano'', prevê o presidente da Abinee. No entanto, diz ele, não há como fazer uma previsão quantitativa do aumento dos estoques para o terceiro trimestre.


