A utilização da capacidade instalada das indústrias brasileiras atingiu uma média de 82% em outubro, seu ‘‘nível mais elevado desde 1992’’ segundo dados divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com nota da CNI, ‘‘a perspectiva do setor é de que este seja o melhor Natal dos últimos anos tendo em vista o bom ambiente econômico interno, a inflação reduzida e a gradual recuperação dos salários’’. Na avaliação da entidade, as ‘‘expectativas são favoráveis’’ para os próximos meses, mesmo com o tradicional recuo da atividade da indústria em outubro e novembro.
Segundo a CNI, o único fator que pode mudar essa perspectiva otimista é o quadro externo, que vem tendo influência desfavorável da elevação dos preços do petróleo, das dificuldades da economia argentina e das incertezas em relação à economia dos Estados Unidos. A utilização da capacidade instalada da indústria estava em 81% em setembro de 2000 e em 79 8% em outubro de 99.
O cenário externo foi também um dos responsáveis por um ligeiro recuo na taxa de pessoal empregado no setor industrial, que teve uma redução de 0,07% em outubro, na comparação com setembro. Esse fato é atribuído pela CNI a ‘‘incertezas quanto à continuidade da queda dos juros em face de problemas externos à economia brasileira’’. De acordo com a CNI, a leve piora nesse indicador não significa, porém, uma reversão na trajetória positiva do emprego industrial. Em relação a outubro do ano passado, o mercado de trabalho industrial teve uma melhora de 1,48%. No acumulado do ano, o pessoal empregado na indústria aumentou 0,58%.
Exceto pelo nível de pessoal empregado, todos os demais indicadores da CNI tiveram desempenho positivo em outubro, na comparação com setembro. As vendas reais da indústria cresceram 3,63%, as horas trabalhadas na produção tiveram um crescimento de 2,12% e os salários líquidos foram 1,83% maiores que os pagos em setembro.
De acordo com dados da CNI, o crescimento de 3,63% das vendas dos estabelecimentos industriais significaram, na prática um aumento de apenas 1,37% sobre setembro, descontados os efeitos sazonais. Outubro registra tradicionalmente um pico das vendas do setor no atendimento às encomendas do varejo para as vendas de fim de ano.
Os salários líquidos na indústria pagos em outubro, que tiveram um aumento de 1,83% em relação a setembro, refletem, conforme avaliação da CNI, queda da inflação e melhora do mercado de trabalho com a ocorrência de dissídios coletivos com a recuperação real. De acordo com os dados da CNI, o total de salários líquidos reais em outubro foi 4,7% maior que o do mesmo mês do ano passado.
O crescimento de 2,12% do total de horas trabalhadas na produção industrial em outubro em relação a setembro, por sua vez, refletem um comportamento sazonal da indústria de transformação. É que, conforme a CNI, as indústrias naquele mês estavam produzindo visando o aumento da demanda para as festas de fim de ano.

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