O levantamento de conjuntura feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que o desaquecimento da atividade industrial, iniciado em maio, tende a se agravar. Entre maio e agosto, caiu 10,45%, de acordo com os índice da entidade.
O Indicador de Nível de Atividade (INA), apurado mensalmente pela Fiesp, recuou 2,7% em agosto, o que é atribuído a um conjunto de fatores desfavoráveis ao crescimento econômico, como inadimplência, desemprego, medo do desemprego e escassez de oferta de crédito no mercado financeiro. Naquele mês, o valor real das vendas caiu 2,1%, depois de descartados os fatores sazonais próprios do período.
O diretor do Departamento de Pesquisa e Economia (Depecom), da Fiesp, Roberto Faldini, acredita que a tendência de desaceleração da economia deverá acentuar-se nos próximos meses. A alta das taxas de juros, o desempenho pouco favorável das exportações e o crescimento da inadimplência deverão contribuir para uma retração ainda maior do mercado de produtos industriais.
A queda das atividades não se reflete, porém, nos negócios realizados pela indústria, se for considerada apenas a taxa acumulada das vendas reais entre janeiro e agosto. Nesse período, o faturamento das empresas cresceu 1,3%. A série histórica desse índice mostra uma que o valor das vendas cai mês a mês e poderá tornar-se negativo neste mês.
Faldini lembra que essa retração não se dá de forma uniforme. Há setores que mantêm ritmo acelerado das atividades, como ocorre com a indústria de equipamentos para os setores de infraestrutura, como energia elétrica e telecomunicações.
O diretor do Depecom diz ter informações de que algumas áreas de produção alcançaram resultados favoráveis nos últimos meses. Entre esses, informou Faldini, está o de vendas de veículos importados ou de elevado valor unitário. Como a expectativa é de que haverá desvalorização do real, alguns consumidores de alto poder aquisitivo procuraram antecipar as compras, para fugir de aplicações pouco confiáveis.
O nível de utilização da capacidade instalada revela essa queda do nível de atividade. A pesquisa da Fiesp indica que a indústria ocupava 78,8% de sua capacidade em agosto. As horas trabalhadas na produção cairam 6,4% no período, com uma queda de 4,7% do pessoal ocupado em agosto, em relação ao mesmo mês do ano passado.

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