Indústria pretende contratar
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domingo, 10 de fevereiro de 2002
Irany Tereza Agência Estado 
Rio A indústria de transformação, que perdeu mais de 17 mil postos de trabalho no ano passado, vai iniciar o processo de retomada do emprego pelos setores metalúrgico (siderurgia e alumínio), têxtil e parte da indústria mecânica. Os três setores estão entre os que mais demitiram a partir de junho, de 2001, prejudicados pelo racionamento de energia e pela conjuntura internacional, que afetou as exportações.
Depois de sete meses consecutivos de demissões, estes segmentos anunciam disposição de voltar a contratar. Este será um ano favorável para o emprego, que segue a retomada de atividade, só que de maneira bem mais lenta, atesta o coordenador do Departamento de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. O economista Salomão Quadros, que coordena a Sondagem Conjuntural da Fundação Getúlio Vargas (levantamento feito em 1.285 empresas), explica que em mais da metade dos setores pesquisados foi constatada a intenção de contratar no primeiro trimestre do ano mais do que demitir.
No segmento da indústria mecânica voltado para a fabricação de máquinas de refrigeração e de lavar que sofreu um baque enorme de vendas devido ao racionamento todas as empresas, sem exceção, afirmaram que irão aumentar seu quadro de pessoal. Entre os setores que ainda apresentam tendência à demissão estão os essencialmente exportadores, como o de celulose, papel e papelão e o calçadista.
Mariana Rebouças analista do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lembra que as variações do pessoal ocupado na indústria costumam ser mais lentos do que os da produção física do setor. Fica muito caro para a indústria contratar e demitir. Por isso, as curvas de emprego têm mudanças sempre mais suaves.
A indústria de transformação, em dezembro do ano passado, empregava uma massa de 2,740 milhões de trabalhadores, que representavam 16% de todo o pessoal ocupado no País. Ao longo do ano, o saldo acumulado entre admissões e demissões foi negativo para o trabalhador. Ele adverte, porém, que não haverá nenhum boom no emprego industrial. A recuperação será gradual e vai depender muito da confirmação de expectativas positivas tanto na conjuntura internacional como na doméstica.


