Rio – A indústria de transformação, que perdeu mais de 17 mil postos de trabalho no ano passado, vai iniciar o processo de retomada do emprego pelos setores metalúrgico (siderurgia e alumínio), têxtil e parte da indústria mecânica. Os três setores estão entre os que mais demitiram a partir de junho, de 2001, prejudicados pelo racionamento de energia e pela conjuntura internacional, que afetou as exportações.
Depois de sete meses consecutivos de demissões, estes segmentos anunciam disposição de voltar a contratar. ‘‘Este será um ano favorável para o emprego, que segue a retomada de atividade, só que de maneira bem mais lenta’’, atesta o coordenador do Departamento de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. O economista Salomão Quadros, que coordena a Sondagem Conjuntural da Fundação Getúlio Vargas (levantamento feito em 1.285 empresas), explica que em mais da metade dos setores pesquisados foi constatada a intenção de contratar no primeiro trimestre do ano mais do que demitir.
No segmento da indústria mecânica voltado para a fabricação de máquinas de refrigeração e de lavar – que sofreu um baque enorme de vendas devido ao racionamento – todas as empresas, sem exceção, afirmaram que irão aumentar seu quadro de pessoal. Entre os setores que ainda apresentam tendência à demissão estão os essencialmente exportadores, como o de celulose, papel e papelão e o calçadista.
Mariana Rebouças analista do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lembra que as variações do pessoal ocupado na indústria costumam ser mais lentos do que os da produção física do setor. ‘‘Fica muito caro para a indústria contratar e demitir. Por isso, as curvas de emprego têm mudanças sempre mais suaves’’.
A indústria de transformação, em dezembro do ano passado, empregava uma massa de 2,740 milhões de trabalhadores, que representavam 16% de todo o pessoal ocupado no País. Ao longo do ano, o saldo acumulado entre admissões e demissões foi negativo para o trabalhador. Ele adverte, porém, que não haverá nenhum ‘‘boom’’ no emprego industrial. A recuperação será gradual e vai depender muito da confirmação de expectativas positivas tanto na conjuntura internacional como na doméstica.

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