São Paulo Desenvolver produtos baseados em uma tecnologia capaz de trabalhar com moléculas menores que um vírus é o novo passo que a indústria nacional dá em direção ao futuro. A fornecedora de polímeros Polibrasil, por exemplo, já está em fase final de desenvolvimento de dois produtos que, ao misturarem plástico comum a nanopartículas um bilhão de vezes menores que um metro ganham muito mais resistência, transparência e brilho. ''A nanotecnologia se apresenta como a maior probabilidade de desenvolvimento de novos materiais e melhoria em produtos já existentes'', diz José Ricardo Roriz, presidente da Polibrasil.
A empresa se uniu a universidades como a Unicamp, Federal de São Carlos e USP e, em pouco mais de um ano, investiu US$ 20 milhões para testar as aplicações de nanopartículas de argila, talco e cálcio importadas dos Estados Unidos, já que a quantidade necessária é baixa com o plástico que já produzia. ''Importamos as nanomoléculas dos Estados Unidos e estudamos de que forma elas poderiam ser misturadas ao plástico, porque ainda não existe receita pronta ou literatura sobre o assunto e temos de testar tudo'', diz Cláudio Marcondes, gerente de desenvolvimento de novos produtos da Polibrasil.
Até agora, o diretor afirma que a empresa já tem dois produtos, que devem entrar no mercado entre o fim deste ano e começo de 2006. Um deles será usado na fabricação de pára-choques na indústria de automóveis. Com o auxílio da nanotecnologia é possível oferecer uma matéria-prima mais resistente, que permite a fabricação de peças mais finas. ''Com veículos mais leves, cai o consumo de combustível. Além disso, o material tem moldagem mais fácil e absorve melhor a tinta.''
Segundo Marcondes, a tecnologia já é usada em empresas como a Ford, GM e Mercedes-Benz em outros países e o custo um pouco mais caro das matérias-primas são compensados com o ganho de performance e durabilidade dos produtos com nanopartículas. Outra área que a empresa aposta é a de embalagens. Com a aplicação de nanomoléculas, é possível fazer recipientes mais transparentes, brilhantes e com maior barreira que evitam a entrada do ar externo e aumentam a validade dos alimentos.

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