São Paulo - O mês começa com forte pressão de custos de insumos básicos, como plásticos, papelão e aço, itens usados pela maioria das indústrias de bens de consumo. Os aumentos de preços chegam a 18%. Recorrentes desde o início do ano, os reajustes desses insumos agora ganham força por causa do aquecimento do consumo doméstico. Tanto é que são exatamente esses três segmentos da indústria de bens intermediários que trabalham hoje quase usando toda a capacidade de produção disponível.
''As resinas plásticas vão ficar entre 12% e 18% mais caras este mês'', avisa o presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp), José Ricardo Roriz Coelho. Até julho, as resinas plásticas subiram entre 25% e 30%. O executivo diz que o repasse será inevitável por causa da disparada da cotação do petróleo e da nafta, matéria-prima básica para a fabricação das resinas. A cotação atual da nafta é o triplo da média histórica. Ele ressalta que a demanda internacional está aquecida, com a China, os Estados Unidos e o Japão indo às compras.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief), Sérgio Haberfeld, agosto e setembro serão meses extremamente complicados com relação à pressão dos preços livres, especialmente porque nesse período serão decididos reajustes salariais de importantes categorias de trabalhadores. Ele ressalta que o quadro poderá se agravar se o dólar voltar a subir. Sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, dos 21 setores pesquisados, os fabricantes de matérias plásticas são os que lideram o ranking daqueles que querem aumentar preços neste trimestre.
A alta dos plásticos já tira o sono da indústria de eletroportáteis, que reajustou em cerca de 8% os preços na virada do mês. ''Todo o mercado vai se reposicionar'', diz um grande fabricante do setor. Ele conta que a queda-de-braço entre os fabricantes de insumos e dos bens acabados se acirrou nas últimas semanas por conta da escassez de produto.
A história se repete com o aço. A Usiminas aumentou ontem em 17% os aços planos, diz um cliente. A empresa não comenta o assunto. Já que o reajuste é inevitável, os compradores tentam negociar um parcelamento neste mês e no próximo. De toda forma, o poder de barganha está com as siderúrgicas, que contam com a demanda interna e externa aquecida, além de oferta apertada. Pesquisa da FGV mostra, por exemplo, que o setor de metalurgia, que engloba os fabricantes de aço, trabalham neste trimestre com 92,2% da capacidade de produção. Em abril, esse índice era de 89,8%.
Para escapar da pressão de custos, uma grande indústria do setor alimentício substituiu latas de folha-de-flandres por sachês de alumínio para embalar os produtos. As embalagens de papelão ondulado, importante termômetro do ritmo de atividade, são outro foco de preocupação. Os fabricantes acenam com aumentos da ordem de 15% para este mês e a oferta do insumo tem pouco espaço para crescer no curtíssimo prazo, o que amplia o poder de barganha da indústria nas negociações de preços. Neste trimestre, a indústria de celulose, papel e papelão ocupa 95% da capacidade de produção.

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