Indústria precisa crescer 1,6% ao mês
Curitiba - A produção industrial brasileira precisa crescer, em média, 1,6% ao mês de junho a dezembro, na comparação com o ano anterior, ou a indústria fechará o ano com taxa negativa, calcula o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam um recuo de 0,9% na produção em maio ante abril. ''Um crescimento médio abaixo disso significaria taxa negativa'', disse Leonardo Mello, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea. ''Queda anual realmente seria um evento raro'', acrescentou.
O professor de Economia da UFPR, Fábio Scatolin, lembrou que o primeiro semestre foi muito ruim para a indústria, em decorrência da queda do dólar em alguns meses. Para ele, ainda é possível a indústria fechar o ano com crescimento econômico, graças à queda dos juros e às reduções do IPI de alguns segmentos, como automóveis e linha branca.
Segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, o governo está tomando medidas a curto prazo, mas teria que estimular investimentos no setor industrial e adotar ações em relação ao dólar.
''A indústria não está crescendo e ainda perdeu espaço na pauta de exportação brasileira'', destacou. Ele lembrou também que o Brasil exporta muitos produtos primários e deveria investir mais em mercadorias manufaturadas.
Para ele, seria necessário políticas de médio e longo prazos. ''As reduções de impostos são temporárias e seria preciso uma política mais expressiva para alavancar investimentos em alguns setores'', afirmou.
Além disso, ele defende a criação de medidas atreladas ao trabalhador: as indústrias que receberem incentivos com redução de impostos, devem ter o compromisso sério de não demitir. ''Já há montadoras ameaçando demitir mesmo com a redução do IPI'', destacou. Silva acredita que é preciso gerar empregos e manter as vagas já existentes, além de garantir qualidade na geração de postos de trabalho e melhorar a renda. (A.B./Com Agência Estado)





