Indústria pode não atender demanda
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sábado, 29 de março de 2008
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - Um quarto da indústria de transformação brasileira acredita que não conseguirá atender à demanda nos próximos 12 meses, se o ritmo atual de consumo se mantiver. A situação é mais crítica entre os fabricantes de materiais de construção, setor no qual 54% das companhias detectaram esse risco.
O quadro foi apontado pelas empresas na Sondagem Conjuntural da Indústria de transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para avaliar o ritmo dos investimentos. A pesquisa, de âmbito nacional, foi realizada no primeiro bimestre deste ano com 710 empresas. Juntas, elas faturaram no ano passado
R$ 265,2 bilhões. ''Apesar de a indústria ampliar os investimentos, existe um risco de esgotamento da capacidade produtiva que está próximo'', afirma o coordenador do estudo, Aloisio Campelo. Na média, a indústria de transformação, vai ampliar neste ano em 11% os investimentos no aumento da capacidade de produção. É a maior taxa de expansão em cinco anos.
O nó da questão, diz Campelo, é o descompasso entre a maturação desses investimentos e o ritmo de crescimento da demanda. Esse descasamento já tira o sono do governo, que chegou a cogitar um aperto no ritmo do consumo para desarmar as pressões inflacionárias.
O economista observa que a indústria está numa fase de franca recuperação. Mas ele destaca que o nível dos investimentos ainda é insuficiente para suportar o crescimento da economia na faixa de 5% ao ano por vários períodos consecutivos. O uso da capacidade instalada da indústria encerrou fevereiro em 84,7%. Campelo destaca que há 16 trimestres consecutivos o indicador supera a média histórica de 81,5%. ''É o maior ciclo de crescimento desde fim dos anos 70.''
As pressões por aumentos de preços já começam a ter impacto nos índices de inflação que captam o movimento da cadeia de produção da indústria. No Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de março, apurado pela FGV, os preços dos materiais de construção subiram 1,05%, ante 0,64% em fevereiro. As pressões de preços vieram do aço, que aumentou 3,51%, das esquadrias de alumínio, que ficaram 1,06% mais caras; e das madeiras usadas nos telhados, que subiram 2,09% nesse mês.


