Carmem Murara
De Curitiba
O setor da indústria plástica brasileira fixou meta de duplicar o volume de exportação até o final do ano 2002. A intenção é tentar aos poucos reverter a balança comercial desfavorável, que gerou um déficit de R$ 550 milhões no ano passado. Para estimular o setor a exportar, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) aposta suas fichas no recém-criado Programa Especial de Exportação, que tem ramificações nos Estados.
O programa está integrado à Câmara de Comércio Exterior (Camex) e fornece toda a infra-estrutura para que o empresário possa iniciar negociações com outros países. O presidente da Abiplast, Merheg Cachum, disse que a entidade está fazendo um levantamento do mercado mundial para identificar quais países têm potencial para comprar produtos brasileiros e que tipo de mercadorias podem ser comercializadas. Cachum fez ontem, em Curitiba, uma avaliação do setor.
Como na maioria dos segmentos industriais, somente agora a indústria plástica começa a responder positivamente ao aumento de exportação, como deseja o governo federal. Havia uma expectativa de que as vendas externas estourassem assim que houve a desvalorização do real, mas o mercado precisa de um tempo para se ajustar. ‘‘Não se abre mercado de um dia para outro’’, justificou o gerente nacional do Setor Plástico da Camex, Celso Gusso. Ele enfatizou que é necessário garantir alguns requisitos básicos para ampliar as exportações.
Entre os pontos citados por Gusso estão a necessidade de se comprar matéria prima com preços internacionais e ter tecnologia em equipamentos. Outros pontos importantes são os financiamentos internacionais e maior acesso às linhas de crédito do Finame (carteira que financia compra de maquinário).
Hoje há no País 5,7 mil indústrias plásticas que geram cerca de 180 mil empregos diretos. Juntas, elas faturaram R$ 21 bilhões e produziram 3,5 milhões de toneladas de plástico no ano passado. Quase 70% delas são micro e pequenas empresas que acabam não tendo condições de se enquadrar nos financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Somente no Paraná, há 300 indústrias de plástico.
O presidente da Abiplast ressaltou que os planos do setor são arrojados e exigem uma parceria com o governo federal. A meta é gerar de 30 mil a 40 mil empregos diretos no setor de transformação e processar 6 milhões de toneladas anuais de resina em quatro anos. ‘‘Até 2004 temos a possibilidade de investir R$ 11,2 bilhões numa hipótese alta’’.
Entre as questões que o setor negocia com o governo federal faz está a criação de um programa de financiamento para pequenos e médios empresários. Eles estudam ainda a atualização do parque industrial de transformação e a eliminação de impostos incidentes na aquisição de equipamentos.

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