Vânia Casado
As indústrias moageiras de grãos poderão deixar de exportar óleo e farelo de soja, se continuarem a perder rentabilidade com a lei Kandir. O alerta foi feito por Cesar Borges, vice-presidente do Conselho de Administração da Caramuru, ao afirmar que o governo está no caminho inverso do comércio exterior ao premiar a exportação da produção primária, com a isenção de impostos, e tributar a exportação de produtos industriais.
Com a lei Kandir a indústria moageira perdeu o diferencial de 3% a 4%, que tinha na compra do grão no mercado interno. Com isso as indústrias nacionais vêm perdendo competitividade para os grandes grupos moageiros multinacionais, que estão capitalizados e suportam trabalhar com rentabilidade menor. Enquanto isso, o parque moageiro de soja da indústria argentina evoluiu rapidamente nos últimos quatro anos.
Isso porque o país manteve o imposto de exportação de soja em 3,5% e ainda oferece um reintegro, como estímulo à exportação, onde a cada US$ 100 exportados, a indústria recebe US$ 6,70 em dinheiro. Estímulos como esse atrairam para o parque moageiro da Argentina investimentos de US$ 1 bilhão, enquanto no Brasil as indústrias estão operando com capacidade ociosa, disse Borges.
Para o empresário, as indústrias estão optando pelo parque industrial da Argentina porque operam melhor lá, enquanto os grandes grupos estendem seus braços aqui no país, primeiro adquirindo as indústrias nacionais. ‘‘Depois poderão atuar somente na compra da produção primária e transformá-la em outro país, onde usufruem da isenção de impostos de industrialização.
Para se ter uma idéia nos últimos quatro anos, de vigência da lei Kandir, o parque indústrial moageiro cresceu 75% na Argentina, enquanto no Brasil houve um decréscimo de 5%, informou Borges. Enquanto isso, a exportação de soja em grão cresceu 180% no Brasil e apenas 20% na Argentina, apesar de a produção do grão ter evoluído 43% na Argentina e 20% no Brasil.
No Paraná, as cooperativas que esmagam soja também estão preocupadas com o avanço dos grandes grupos industriais que estão concentrando o mercado no país. Para enfrentar essa nova realidade, as cooperativas devem acelerar o processo de fusão e organização para ganhar produção de escala. A opinião é do presidente da Coamo e vice-presidente da Ocepar, José Aroldo Galassini, ao comentar a concentração de grandes empresas esmagadoras de soja no país. Ele salienta que não vê problemas no avanço dessas megaempresas, mas ressaltou que sem um mínimo de escala não dá mais para se manter no mercado.
Segundo Borges, da Caramuru, as cooperativas ainda conseguem ser mais competitivas porque pagam menos impostos que as empresas comuns, sendo que elas são isentas de algumas contribuições sociais e pagam parcela menor do Funrural.
O desafio para as cooperativas que atuam nesse setor é atuar como parceiras dessas megaempresas e não como concorrentes, disse Galassini. Isso porque elas são compradoras da produção tanto aqui no mercado interno como externo também. ‘‘São quatro grandes grupos multinacionais que atuam em vários países do mundo e se não estão comprando a produção aqui, estão do outro lado do oceano recebendo nossas mercadorias’’.

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